“Morte ao Cristão?! – Identidade cristã na sociedade actual” foi o tema «provocatório» das XV Jornadas Teológicas de Braga, promovidas pela Associação de Estudantes da Faculdade de Teologia – Braga e a Revista Cenáculo, realizadas naquela cidade, de 26 a 29 de Maio. Uma escolha que deriva “da popularidade que as tendências da New Age têm adquirido nos nossos dias: literatura, música e cinema são alguns dos lugares onde estas correntes esotéricas marcam presença” – referiu Samuel Vilas Boas, director da Revista Cenáculo, no início das jornadas. Numa Europa “da laicidade, onde se pretende um eclipse da transcendência vertical e o nascimento do humanismo transcendente do homem-deus”, Isabel Varanda, professora da UCP – Braga, sublinhou que “a secularização acaba por ser redutora do homem provocando um renovado vazio interior”. No fundo são os lugares teológicos na “Nova ordem religiosa mundial”, temática abordada pela oradora, que salientam “o recuo da religiosidade institucional e a emergência duma outra individual”. Alguns dos sistemas “duma nova ordem mundial”, que levaram frei Bento Domingues a lamentar que “a treta do esoterismo ocupa quatro estantes de uma livraria, a da religião ocupa uma parte de uma prateleira”. E adianta: cada pessoa exprime a sua religiosidade conforme lhe dá na real gana e têm uma espiritualidade para cada problema, ou três e quatro ao mesmo tempo”. Para João de Deus Costa Jorge, que falou sobre “Tendências da New Age: matarão a sede humana ou a humanidade da sede?”, a New Age “é uma tentativa falhada de saciar esta mesma sede” porque não é uma doutrina mas “um conjunto de ideias, técnicas e tendências cujo denominador comum é o individualismo e o subjectivismo”. Ideia que Frei Bento Domingues apoia e acrescenta: “a religião à la carte baseia-se no narcisismo das pessoas”. Por isso lança o aviso: “a nova espiritualidade é um desafio a todos e principalmente à Igreja a quem não bastam os dogmas, os sacramentos e a moral mas tem de regressar a Cristo”.
