14 de fevereiro de 2026
As mais belas realidades da vida humana podem perder o seu encanto, quando se banalizam, esquecem a sua beleza e o seu desígnio de se saber recriar e sonhar.
Quando celebramos o DIA DOS NAMORADOS, na festa de São Valentim, certamente nos interrogamos sobre o significado e o sentido do DIA DOS NAMORADOS.
A data escolhida surge caldeada em nobreza de ideais, pois segundo parece, – e atenção à possível fragilidade dos dados históricos -, um clérigo foi martirizado em 269 ou 270, no dia 14 de fevereiro, pelo facto de abençoar matrimónios de jovens militares, proibidos pelo imperador Claudium II de se desposarem, para que vivessem totalmente concentrados nos deveres militares.
Os acontecimentos descritos indicam radical profundidade de consciência e sentimentos, quer nos militares que arriscaram a vida pela celebração do seu matrimónio, quer no clérigo que ousou desafiar a lei e se negou sacrificar aos deuses romanos, e por isso lhe foi aplicada a pena capital.
A grandeza destes testemunhos de vida perdurou na memória popular e fizeram com que no século V, o Papa Gelásio instituisse este Dia com pendor nupcial, também para cristianizar e substituir festividades romanas da Fertilidade, como a Lupercália.
Na provável origem deste Dia, está bem clara a força do Amor e da Consciência, capazes de enfrentar a morte. De facto, o amor é a capacidade de dar a vida pelo outro. Eis a suprema beleza do Amor, cantam os místicos e os poetas!
Notemos que por este valor supremo do Amor, também terá arriscado e dado a vida, S. Valentim. Afinal, deu-a pelo Amor presente nos noivos.
Quando alargamos horizontes interdisciplinares, somos obrigados a admitir que o berço natural da vida é a família primordial, uma Mãe e um Pai. Será necessário lembrar que esta constatação bio-antropológica se alicerça e fundamenta no Amor?
Imediatamente, se antevê que estamos perante um projeto tão profundo como belo!
Por isso, não convive com a banalização e com a futilidade, mas exige sonho e continua recreação. Sim, porque o amor é dádiva de vida; é fazer o outro feliz, partilhando as alegrias e as dores de cada dia.
Na perspetiva da Fé Cristã, um só é o Amor, e ser amado por este Amor e aprender a amar com este Amor é a síntese do projeto do namoro cristão. Dizemos mesmo, de todo o namoro humano, porque esta é a sede de entrega que levamos em nossos corações e só se sacia quando se encontra com a fonte de todo o amor, o Amor Primeiro, que nos ama desde sempre, mesmo sem o termos ainda descoberto, nem o amarmos.
Se estivermos atentos, um dia perceberemos que há sempre um sinal do Amor de Deus a nosso lado e que Ele está sempre connosco. Somos o centro do Seu olhar; valemos a Sua vida, que oferece por nós, para descobrirmos que o sentido da vida é dar a vida, servindo. Por isso, se o namoro é um tempo a caminho do casamento, o namoro deve, porém, ser uma experiência autêntica e iluminadora para toda a vida.
Por vezes, o namoro atravessa desertos, silêncios, tempestades, descobertas de realidades exigentes, afinal passa por crises. Será, então tempo de orar com Francisco de Assis: ” Senhor, dá-me força para mudar o que deve ser mudado, resignação para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra.” Que os verbos “escutar”, “respeitar”, “cuidar”, “esperar”, “doar”, “perdoar”, “acreditar” e “continuar”, se cruzem sempre com o verbo “amar”, porque afinal são sinónimos e concretizações que substantivados, adjetivam a vida com o sabor do saber.
Nestes tempos, em que alguns se deixam aprisionar pela cultura do solipsismo e do narcisismo, aonde se chega à brutalidade da tão frequente violência no namoro, presente em estatísticas e notícias mediáticas, impõe-se-nos que testemunhemos com respeito e convicção, a genuína liberdade que brota do amor autêntico de quem se dá, e não de quem pretende servir-se, dominar, escravizar, manipular, usar ou abusar e depois descartar.
É urgente libertar o namoro de todas as falsas imagens e amarras que o manipulam, descaracterizam, pervertem, banalizam e ofendem, para que Amor e Liberdade se abracem na autenticidade do projeto inicial: Família e Vida. Afinal, futuro…
Obrigado aos namorados que amam em liberdade e respeito, que se deixam salvar pelo Amor. Estamos certos, por vós passará determinantemente o futuro!
Convosco e por vós rezamos. Convosco nos alegramos.
Aos namorados de todas as idades, os nossos Parabéns!

