A presença de missionários portugueses junto dos nossos emigrantes espalhados pela Europa está a sofrer várias mudanças, derivadas de condicionalismos pastorais e económicos. Para os cerca de 5 milhões de portugueses dispersos por 121 nações, a Igreja Católica mantém estruturas próprias para os “portugueses no mundo” há mais de 50 anos – cerca de 250 missionários trabalham junto das comunidades. De regresso a Portugal, após um encontro de formação pastoral para estes missionários, na Alemanha, o director da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) explica à Agência ECCLESIA que a reestruturação das comunidades estrangeiras nas Igrejas da Alemanha e da Suíça irá “potenciar a presença portuguesa nas grandes cidades, abandonando, infelizmente, as comunidades mais pequenas”. “As comunidades portuguesas têm 2/3 anos para entrar nos modelos pastorais que a Conferência Episcopal Alemã prevê. Isso significa que há uma grande transformação do mapa das missões portuguesas, sobretudo com uma série de encerramentos”, indica o Pe. Rui Pedro. Na última mensagem para o Dia Mundial dos Migrante e Refugiado, Bento XVI fala da necessidade de os países de origem acompanharem os migrantes e refugiados, enviando “agentes pastorais da sua mesma língua e cultura, em diálogo de caridade com as Igrejas particulares de acolhimento”. Para o director da OCPM, esta indicação do Papa deixa claro que deve existir “uma maior colaboração das Igrejas de origem, oferecendo os nossos serviços pastorais, caso no-lo peçam, e criando também estágios linguísticos e culturais em Portugal para sacerdotes das Igrejas de acolhimento”. Do encontro da Alemanha, em que marcou presença o presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, D. António Vitalino, saiu ainda a constatação de que cada vez mais missionários e missionárias ao serviço das comunidades portuguesas não são naturais do nosso país. “É verdade que a Igreja é internacional, mas a língua não é tudo e há que servir os portugueses lá fora culturalmente”, conclui o Pe. Rui Pedro, adiantando que a cooperação a nível da formação de sacerdotes será intensificada “nos próximos anos”.
