Meio milhão vê missa na televisão Cerca de meio milhão de portugueses comunga aos domingos da mesma fé através da televisão, acompanhando fielmente as transmissões da Eucaristia, numa atitude que contraria a tendência de perda de fiéis assumida pela Igreja Católica. Segundo os dados revelados pela Conferência Episcopal Portuguesa por altura do último censo religioso, a Igreja Católica terá perdido cerca de meio milhão de praticantes (cerca de 21 por cento) entre 1977 e 2001. É essa, aliás, em média, a quantidade de fiéis que não dispensa ao domingo os programas religiosos exibidos pela televisão portuguesa e que ocupam parte da manhã das grelhas dominicais dos canais generalistas, excepção feita à SIC. No domingo passado, entre as 10h00 e as 10h50, o programa mais visto em Portugal não era, como habitualmente, o espaço de desenhos animados para os mais novos, mas sim a Eucaristia Dominical na RTP 1, que prendeu ao pequeno ecrã, em média, quase 200 mil pessoas. Também na RTP2, os três programas religiosos exibidos na manhã de domingo — “Caminhos”, “Novos Horizontes” e “70X7” — apresentam um número certo de espectadores, embora aqui consideravelmente menor, não chegando, todos juntos, a captar mais de 120 mil pessoas. «Independentemente das audiências, a transmissão de cerimónias religiosas e a divulgação dos valores cristãos integram-se na missão de serviço público da RTP», afirmou à Agência Lusa o director-adjunto de programas da televisão pública, Nuno Santos. Para o responsável, «quer na RTP1 quer na RTP2, futuro canal Sociedade/Conhecimento, essa aposta vai continuar». Mais vista é a Eucaristia Dominical exibida pela TVI. No passado domingo, às 11h00, a missa foi acompanhada por 360 mil pessoas, um número que cresceu para 400 mil durante o programa “Oitavo Dia”, um magazine religioso apresentado pelo padre António Rego. Para o sociólogo Moisés Espírito Santos, especialista em assuntos religiosos, «há uma evidente fidelidade dos espectadores de programas religiosos», que se mantém semanalmente. «São programas que, apesar de não terem o nível de fidelização das novelas, prendem muitas pessoas ao ecrã e isso tem a ver com a procura de um certo discurso, de uma certa paz interior», disse à Agência Lusa. Para este estudioso, «muitas das pessoas que vêem estes programas não são, necessariamente, católicas ou praticantes, mas gostam do tom espiritual destas emissões». «A televisão é hoje toda muito igual, com programas de baixo nível e os programas religiosos levantam problemas, propõem reflexões, são uma espécie de porto de abrigo desta televisão aborrecida que temos», justificou.
