Médio Oriente: Papa defende solução de «dois Estados» e sugere grande encontro ecuménico em Jerusalém em 2033

Leão XIV falou a jornalistas no voo entre Istambul e Beirute

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 30 nov 2025 (Ecclesia) –Leão XIV defendeu hoje a solução de “dois Estados” para o conflito israelo-palestiniano e revelou a intenção de promover um encontro cristão mundial em Jerusalém, no ano de 2033, para celebrar os 2 mil anos da ressurreição de Jesus.

“A Santa Sé já apoia publicamente há vários anos a proposta de uma solução de dois Estados. Todos sabemos que, neste momento, Israel ainda não aceita esta solução, mas vemo-la como a única solução que poderia oferecer, digamos, uma solução para o conflito que vivem continuamente”, disse aos jornalistas, em conferência de imprensa, durante o voo entre Istambul e Beirute.

Foto: Lusa/EPA

Leão XIV sublinhou que a Igreja é “também amiga de Israel” e procura ser uma “voz mediadora” para alcançar uma paz com justiça, tendo discutido o tema com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

“A Turquia tem um papel importante a desempenhar nesse sentido. O mesmo se aplica à Ucrânia. Há alguns meses, com a possibilidade de diálogo entre as partes ucraniana e russa, o presidente ajudou muito a reunir as duas partes. Infelizmente, ainda não vimos uma solução, mas hoje, novamente, há propostas concretas para a paz”, indicou.

No final da conferência de imprensa, Papa partilhou uma novidade decorrente dos encontros ecuménicos mantidos na Turquia, no contexto dos 1700 anos do Concílio de Niceia.

“Ontem de manhã [sábado], falamos sobre possíveis encontros futuros. Um deles seria no ano 2033, nos 2 mil anos da Redenção, da Ressurreição de Jesus Cristo”, afirmou.

Embora ainda sem feitos convites formais, o Papa adiantou que “existe a possibilidade de celebrar, por exemplo, em Jerusalém, em 2033, este grande evento da Ressurreição”, uma ideia que foi “bem recebida” pelos líderes cristãos de diferentes tradições presentes na Turquia.

Leão XIV fez um balanço muito positivo da primeira etapa da viagem, agradecendo ao governo turco e ao presidente Erdogan pelo apoio logístico, e destacou a convivência inter-religiosa no país como um exemplo.

“A Turquia, disse, “é um país onde a grande maioria é muçulmana, mas onde também existem numerosas comunidades cristãs”,

“Pessoas de diferentes religiões conseguem viver em paz”, observou, considerando que esse modelo é o que se procura para todo o mundo.

O Papa aterrou esta tarde no Líbano, onde prossegue a sua primeira viagem apostólica até terça-feira.

OC

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