Vaticanista e chefe de redação da Agência ECCLESIA analisa mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais
Lisboa, 27 jan 2026 (Ecclesia) – O vaticanista Octávio Carmo considera que o pedido do Papa por uma literacia digital, na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, “é um momento muito importante”, porque marca a posição da Igreja Católica junto da inteligência artificial.
“A Igreja Católica vai navegar na inteligência artificial, não vai estar do lado dos que a combatem, mas vai navegar com com uma preocupação ética e esse é um grande ponto de viragem”, afirmou Octávio Carmo, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.
Na mensagem para o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada no passado sábado, o Papa Leão XIV defende que “como a revolução industrial exigiu uma alfabetização mínima para permitir que as pessoas reagissem às novidades, também a revolução digital exige uma literacia digital”.
O chefe de redação da Agência ECCLESIA chama a atenção que a educação digital não se destina apenas aos mais jovens, mas também a uma “geração mais velha que está bombardeada sistematicamente pela inteligência artificial e que não tem os recursos suficientes para distinguir o que é verdadeiro do que é falso e o que é manipulação do que é ajuda”.
Este trabalho de responsabilidade, de cooperação com a sociedade no geral e de educação é transversal, por isso é que o Papa pede a todos os que são membros desta comunidade que trabalhem no sentido dessa tal literacia e alfabetização, porque realmente neste momento a Inteligência Artificial diz respeito a todos”, assinalou.
Sobre o tema da mensagem, “Preservar vozes e rostos humanos”, o jornalista entende que já era esperado que o Papa desse atenção à tecnologia digital, desde logo pela escolha do nome Leão XIV e a ligação que estabelece entre a revoluções industrial e digital.
“Há desde logo esse alerta de que mais do que uma questão técnica ou tecnológica é uma questão antropológica, diz respeito à essência do ser humano”, refere Octávio Carmo.
O vaticanista observa que o Papa assume que “a inteligência artificial está cá para ficar”, mas “tem de se humanizar, tem de se colocar a dignidade humana no centro”.
![]() A propósito do tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS) e a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Évora promoveram um debate, na passada sexta-feira, a que hoje é dedicado o Programa ECCLESIA. “É um tema muito falado e muito discutido, e aqui também foi, aqui em Évora, sempre com esta consciência de que a inteligência artificial é utilitária e que a parte humana é humanizadora”, disse Isabel Figueiredo, diretora do SNCS. Valorizando a importância do trabalho que se faz nas nossas dioceses, a responsável destaca que este ano o secretariado optou por ir até ao Alentejo. O jornalista Amílcar Matos também participou na sessão e, em declarações à Agência ECCLESIA, sublinhou que esta é uma região que “tem vozes fantásticas” e rostos que “marcam”. “Eu estou a puxar a brasa da minha sardinha aqui à região, no Norte pensarão exatamente a mesma coisa, mas eu julgo que é uma mensagem que tem tudo a ver com a região Alentejo, também com a região Alentejo”, disse. A aposta na comunicação é um trabalho que tem vindo a ser realizado pelo arcebispo D. Francisco Senra Coelho, que salienta que “não há outra razão” para a Igreja existir se não for para anunciar o Evangelho. O responsável católico entende que os meios de comunicação hoje são as “novas avenidas” e “autoestradas”, “como foram no passado os mares e oceanos”. “A Arquidiocese de Évora não poderia ficar de fora. O comboio parte à hora certa, é a vida, é o ritmo da vida, e se nós não entrarmos no comboio, perdemos o comboio e ele vai sem nós, ou seja, o Evangelho não vai, não tem este sentido de partida e vai acontecer uma viagem sem o sabor e sem o saber”, referiu. ![]() Pedro Conceição é o diretor adjunto do Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora e explica que, em 2024, a arquidiocese passou a ter um novo estúdio de produção de conteúdos, o “Esperança Multimédia”. “Quisemos aqui também nestes estúdios, além de produzir esses conteúdos informativos, que é mais a parte que eu faço, também produzir outros conteúdos de testemunha, de partilha, de promover essa comunhão pastoral na nossa Arquidiocese”, indica. O responsável destaca a importância da comunicação na região para “quebrar” o isolamento na região e chegar às pessoas. “Sabemos que o sr. arcebispo alerta sempre muito para isso, para a desertificação, e a verdade é que já há muitos cristãos, pessoas muito empenhadas, e não só, que já estão nas suas casas, já não conseguem sequer ir até à Eucaristia, estar com a comunidade e nós sentimos que estamos também a trabalhar para eles e não só, estamos a quebrar essas barreiras da desertificação”, reforçou. |
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