Mau tempo: Património religioso edificado sofreu danos «muitíssimo avultados»

Diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja apela à disponibilidade solidária de conservadores, restauradores, arquitetos, mestres sineiros, outros técnicos e empresas especializadas

Lisboa, 09 fev 2026 (Ecclesia) – A diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja Católica em Portugal explica que a tempestade Kristin danificou e comprometeu um vasto património religioso edificado, que é preciso começar a recuperação e destaca a solidariedade de técnicos e empresas especializadas.

“Desde o início começámos a ter perceção de que realmente havia consequências vastíssimas porque se havia nas habitações e nas empresas deduzimos que também aquilo que era o património religioso teria sido atingido”, disse Fátima Eusébio, esta segunda-feira, 9 de fevereiro, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Os ventos de 200 km da depressão Kristin deixaram no território português uma vasta destruição nas habitações, estradas, florestas e também no património, na madrugada de 28 de janeiro, nos territórios das Dioceses de Leiria-Fátima, Coimbra, Portalegre-Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Évora, Beja, comprometeram um património histórico edificado.

“Nestas zonas, está em causa este património, que já por si muitas vezes é difícil de conservar, porque os recursos são sempre escassos e, por isso, quando acontece uma catástrofe destas, evidentemente, que se vai adensar aquilo que são os problemas com este património.”

A diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que estabeleceu logo contactos com bispos, padres e responsáveis por este setor nas dioceses, e com o Património Cultural, I.P, numa primeira lista, identificaram “mais de três dezenas de edifícios com danos”, e foram “excluídos aqueles que eram umas telhas, pequenas coisas”, e recorda que o Santuário da Nossa Senhora da Encarnação, na Diocese de Leiria-Fátima, “tem sido uma das imagens mais presentes porque os danos são vastíssimos”.

Foto Pedro Castanheira e Cunha/Lusa, Igreja de Nossa Senhora de Encarnação, em Leiria, após a tempestade Kristin

“Os telhados é o pior, quer o levantamento de telhas, quer a queda de campanários, e com a gravidade que, por vezes, caíram para cima do telhado, que foi o que aconteceu na Senhora da Encarnação, e os danos foram muitíssimo avultados. Falamos sobretudo de igrejas, há também algumas ermidas, por exemplo na zona de Portalegre-Castelo Branco, porque também foi uma zona bastante danificada”, desenvolveu.

Segundo a responsável nacional do setor do património da Igreja Católica continuaram a receber informações e têm aparecido dados “relativamente a edifícios que não estavam ainda no elenco daquelas 33 igrejas”, novos locais porque as comunidades têm uma noção maior da realidade, e os danos continuam a aumentar com o mau tempo, com “este comboio de tempestades que têm ocorrido”, com “entrada de infiltrações”, que podem pôr em causa “o património que está no interior das igrejas”, e também “muitos aluimentos de terras”.

O Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja lançou uma “campanha solidária para apoiar a recuperação do património religioso danificado” pela depressão Kristin, apelando à disponibilidade de conservadores-restauradores ou empresas desta área ([email protected] | 218855482), para “ajudar a recuperar, como também a fazer o diagnóstico das situações, a preparar os cadernos de intervenção”.

O Centro de Conservação e Restauro da Diocese de Bragança-Miranda disponibilizou “ técnicos para trabalharem gratuitamente”, e empresas como “Atelier Samthiago, a Jerónimos dos Sinos” também manifestaram apoio.

“Conservadores, restauradores, arquitetos, os mestres sineiros  todos aqueles que estão envolvidos nesta componente legalmente de preservação do património. Até material de acondicionamento para o património, por exemplo, pode ser um contributo essencial”, acrescentou Fátima Eusébio, adiantando que vão “continuar o diálogo” com o Património Cultural IP e com os responsáveis das dioceses.

O Governo português anunciou 14 medidas de apoio às regiões e populações afetadas pela depressão Kristin, a última é precisamente “20 milhões de euros” para todo o património cultural – edifícios, muralhas, castelos –, e onde se inclui o património religioso, mas, salienta a responsável, “o Estado vai dar prioridade ao património classificado”.

Para a diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja Católica em Portugal a conservação do património “tem que entrar nesta solidariedade” nacional, para além dos casos referidos, e considera que a comunidade “também se vai unir nesse aspeto”, quando tiver condições após as atuais prioridades.

LS/CB/PR

Leiria-Fátima: Mau tempo provocou danos em 45% dos edifícios da Igreja

Igreja/Portugal: Tempestade provocou «danos muito avultados» em pelo menos 33 locais de culto

 

Solidariedade: Fundação AIS lança campanha para reparação de igrejas, capelas e centros paroquiais atingidos pela tempestade Kristin

Partilhar:
Scroll to Top