Acampamento Regional de Aveiro do CNE Mais de dois mil escuteiros participaram no ACAREG 2004-Arestal – Acampamento Regional de Aveiro do CNE – Escutismo Católico Português, na Serra do Arestal, em Sever do Vouga. Como meta a atingir, entre 30 de Julho e 5 de Agosto, os escuteiros tinham a descoberta da nova e eterna Aliança, que se cumpriu em Jesus Cristo. Na abertura oficial, no domingo, o ACAREG abriu as portas a cerca de quatro mil familiares e amigos dos escuteiros da Região de Aveiro, que está a celebrar os 50 anos da sua fundação. Para além do assistente e dirigentes da Junta Regional e dos Agrupamentos da Região de Aveiro, marcaram presença, na cerimónia de abertura, o Vigário Geral da Diocese, monsenhor João Gaspar, que representou o nosso Bispo, D. António Marcelino, o Chefe Nacional, Luís Alberto Lidington, e o vice-presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga, professor Coutinho, bem como outras entidades. Com farda de campo, os Lobitos, Exploradores, Pioneiros e Caminheiros andavam numa roda-viva a preparar tudo para receberem bem os que os vinham visitar numa iniciativa muito significativa para as suas vidas. Atentos às recomendações de que o ACAREG 2004-Arestal tinha de ser um acampamento ecológico, os escuteiros esmeraram-se nas construções e ornamentos das infra-estruturas indispensáveis para a vida num aldeia de lona, onde são proibidos os pregos. Símbolos, decorações com gosto e muita originalidade, em zonas claramente demarcadas para não haver confusões, numa procura de ordem, fundamental numa aldeia sem raízes ancestrais, de pedra e cal, o ACAREG mostra como se trabalha nos 42 Agrupamentos da Região, envolvendo 3200 escuteiros e 500 dirigentes. Para o Chefe Nacional, estes grandes acampamentos são a aplicação de muitos conhecimentos adquiridos pelos escuteiros durante o ano, na busca de valores humanos e cristão “que não são impostos nem vendidos com discursos, mas vividos no dia-a-dia”, garantiu ao Correio do Vouga. Os jovens vão absorvendo esses valores nos acampamentos, num ambiente totalmente diferente do habitual, “porque há aqui um apelo muito forte para os aprenderem e para todos crescerem, através de desafios constantes”. Ao falar sobre esta iniciativa, o assistente religioso, padre Manuel Augusto, adiantou ao nosso jornal que o fundamental é incentivar os jovens a experimentarem a fraternidade, tendo sempre em conta que o “desenvolvimento integral pressupõe a formação física, intelectual, criativa, social e também espiritual”. Neste acampamento, a partir das Alianças estabelecidas entre Deus e o povo judeu, concretamente com Noé (Lobitos), David (Exploradores), Moisés (Pioneiros) e Abraão (Caminheiros), todos vão chegar ao conhecimento de que a Nova e Eterna Aliança veio, definitivamente, com Jesus Cristo. O Chefe Regional, Norberto Correio, considerou que este ACAREG é uma manifestação “de corpo e de unidade” da Região de Aveiro, enquanto defendeu que o escuteiro, no seu progresso pessoal, precisa de ser estimulado. E acrescentou que os escuteiros têm de ser motivados para serem “mais autónomos e mais responsáveis”. Sobre a complexidade de um projecto como este, adiantou que tudo se torna mais fácil quando todos os escutas, “desde os mais novos até aos dirigentes”, participam na preparação e na concretização dos mais diversos projectos, sejam eles pedagógicos ou da construção de infra-estruturas. Projectos do CNE Contribuir para um mundo um bocadinho melhor A Ana, do Agrupamento 191 de Aveiro, Pioneira, entrou no escutismo há seis anos. Gosta do escutismo porque a “faz sentir bem, em união com as pessoas de várias idades”. Tem um gosto especial por acampar, pelas aventuras, pelos jogos, mas também reconhece que “o escutismo a ajuda a ver o que é o lado bom e o lado mau das coisas”. Sente que se tem valorizado com a formação que recebe sobre a importância de proteger o ambiente, de ser solidária com os outros, de viver o voluntariado e de partilhar com as outras pessoas. A partir do escutismo, tem colaborado com a Cáritas e com o Banco Alimentar Contra a Fome. E vai continuar a ser escuteira porque, “uma vez escuteira, escuteira para toda a vida”, O Paulo Almeida, do Agrupamento 1178 de Vale Maior, dirigente de Pioneiros, entrou no CNE há cinco anos. Considera que um acampamento como este serve para que os escuteiros da nossa Região se conheçam uns aos outros. “Ao conhecermos outros Agrupamentos, ficamos a conhecer novas formas de escutismo”, disse. Reconheceu que há uma forma de estar no escutismo, mas se calhar nunca conseguimos abarcar por completo os seus ideais, pelo que “temos sempre que aprender uns com os outros”. Referiu a importância da autoformação e a urgência de se apostar nos valores eternos, “porque há muitos que começam a pensar que estão fora de moda”. O respeito pelos outros, a dedicação, a solidariedade e a amizade são objectivos de sempre, sublinhou. E ainda frisou que os grandes projectos do CNE são, no fundo, levar-nos a contribuir para um mundo um bocadinho melhor. Fernando Martins
