Tony Neves, na Basílica de S. Pedro, em Roma
A Festa da Apresentação do Senhor, a 2 de fevereiro, é a Jornada Mundial da Vida Consagrada. O Papa Leão, pela primeira vez, convocou as Consagradas e os Consagrados para a Eucaristia na Basílica de S. Pedro. Estas são as celebrações que tento não perder e, por isso, lá estive.
A primeira nota digna de realce é a quantidade enorme de Padres, Irmãs, Irmãos e membros de Institutos Seculares que corresponderam ao convite do Papa e encheram a Basílica de S. Pedro. Igualmente notável foi a homilia de Leão XIV. Deu continuidade à reflexão que fizera no Jubileu da Vida Consagrada, a 9 de outubro, na Praça de S. Pedro. Nessa manhã, lembrou: ‘’Pedir’, ‘procurar’, ‘bater’ – os verbos da oração usados pelo evangelista Lucas – são para vós atitudes familiares, habituados que estais, dóceis à ação de Deus, a pedir sem exigir, praticando os conselhos evangélicos’. Disse adiante: ‘Para ser verdadeiramente feliz, o ser humano precisa de experiências de amor consistentes, duradouras, sólidas, e vós, com o exemplo da vossa vida consagrada, como as árvores frondosas, podeis espalhar pelo mundo o oxigénio desta forma de amar’. Terminou a homilia do Jubileu com palavra de Paulo VI: ‘Sede verdadeiramente pobres, mansos, famintos de santidade, misericordiosos, puros de coração e daqueles graças aos quais o mundo conhecerá a paz de Deus’.
A Irmã Simona Brambilla, Responsável pelo Dicastério da vida Consagrada, numa Mensagem especial para este Dia, escreveu: ‘quão forte é a dimensão profética da vida consagrada como ‘presença que permanece’: ao lado dos povos e das pessoas feridas, nos lugares onde o Evangelho é vivido muitas vezes em condições de fragilidade e de provação. Este ‘permanecer’ assume diferentes formas e esforços, porque diferentes são as complexidades das nossas sociedades: onde a vida quotidiana é marcada por fragilidades Institucionais e insegurança, onde as minorias religiosas vivem pressões e restrições; onde o bem-estar coexiste com solidões, polarizações, novas pobrezas e indiferença; onde as migrações, as desigualdades e a violência generalizada desafiam a convivência civil. Em muitas partes do mundo, a situação política e social põe à prova a confiança e desgasta a esperança: e é precisamente por isso que a presença fiel de vocês, humilde, criativa e discreta se torna um sinal de que Deus não abandona o seu povo’.
Nesta segunda-feira em que o sol aqueceu Roma, o Papa Leão disse na homilia: ‘Queridos irmãos e irmãs, a Igreja pede-vos para serdes profetas: mensageiros e mensageiras que anunciam a presença do Senhor e preparam o seu caminho. (…). Os vossos fundadores e fundadoras, dóceis à ação do Espírito Santo, deixaram-vos modelos maravilhosos de como viver efetivamente este mandato. Em contínua tensão entre a terra e o Céu, com fé e coragem, partindo da Mesa Eucarística, deixaram-se levar uns ao silêncio dos claustros, outros aos desafios do apostolado, outros ao ensino nas escolas, outros à miséria das ruas e outros ainda às fadigas da missão. Com a mesma fé, regressaram, uma e outra vez, humilde e sabiamente, aos pés da Cruz e diante do Sacrário, para oferecer tudo e reencontrar em Deus a fonte e a meta de todas as suas ações. Com a força da graça, lançaram-se também em iniciativas arriscadas, tornando-se presença orante em ambientes hostis e indiferentes, mão generosa e ombro amigo em contextos de degradação e abandono, testemunho de paz e reconciliação no meio de cenários de guerra e ódio, prontos também a sofrer as consequências de uma ação contracorrente que os tornou em Cristo ‘sinal de contradição’ (Lc 2, 34), às vezes até ao martírio’.
Se a tarde foi marcada por esta celebração Papal, os Espiritanos também vivem cada 2 de fevereiro como memorial da morte do P. Francisco Libermann, um dos seus Fundadores. O Superior Geral, P. Alain Mayama, presidiu à Missa na Casa Geral. E a Família Espiritana, reunida para refletir e rezar, recordou a grande oração de Libermann: ‘Santo e adorável Espírito, fazei-me ouvir a vossa amável voz; refrescai-me como o vosso divino Sopro. Quero ser para Vós como leve pena, a fim de que o vosso Espírito me conduza para onde quiser e eu não lhe ofereça a menor resistência’.
Tony Neves, na Basílica de S. Pedro, em Roma
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