D. Rui Valério presidiu à Missa no Convento do Varatojo, sublinhando que o encontro com os excluídos funciona como «espelho» que revela a bondade de cada cristão

Torres Vedras, 26 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou este domingo, em Torres Vedras, que os cristãos não podem permanecer neutrais perante o sofrimento humano, desafiando a Igreja a ser promotora da dignidade das pessoas marginalizadas.
“Perante quem sofria, particularmente perante um leproso, Jesus nunca foi indiferente, nunca passou ao lado”, disse D. Rui Valério, na Missa a que presidiu no Convento do Varatojo, evocando o 73.º Dia Mundial dos Doentes de Lepra.
Numa celebração transmitida pela TVI, o responsável católico sublinhou que a realidade da doença e da exclusão funciona como um “espelho” para a consciência de cada um.
“Não se pode ser neutral na presença dos leprosos. É uma ocasião para que cada um de nós se revele, para mostrar o quanto de bondade existe no seu coração”, sustentou, alertando para o risco da indiferença.
No Domingo da Palavra de Deus, o patriarca recordou que, no tempo de Jesus, a lepra era vista como “uma morte em vida”, mas Cristo escolheu ir ao encontro dessa “escuridão” porque “o ser humano não foi criado para o isolamento”.
D. Rui Valério atualizou o convite evangélico para ser “pescadores de homens”, traduzindo-o como uma missão de defesa da dignidade humana.
“Significa sermos missionários, evangelizadores, promotores da dignidade do ser humano”, referiu, numa intervenção divulgada pelo site do Patriarcado de Lisboa.
No início da celebração, o presidente da Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau (APARF), José Domingues dos Santos Ponciano, lembrou que a lepra continua a afetar “os mais pobres dos pobres”.
“Como é uma doença silenciosa, aparece sem dor, sem sinais alarmantes, é preciso preveni-la e procurá-la para que seja tratada e não alastre”, explicou o responsável, informando que mais de 17 milhões de pessoas foram tratadas em todo o mundo nos últimos 40 anos.
O patriarca de Lisboa encerrou a Eucaristia evocando uma história de Raoul Follereau sobre a importância do olhar amoroso para devolver a vida a quem sofre, pedindo aos fiéis que se tornem “Palavra viva de Deus” através do cuidado concreto.
OC
