Lisboa: Pastoral Familiar realiza encontro «Esperança no Digital», para «perceberem onde é que estão os perigos, e as vantagens»

«Um lugar onde a Igreja tem a sua presença para anunciar o Evangelho, se nós não aproveitamos para isso estamos a fazer mal também o nosso trabalho» – Padre Lourenço Lino

Foto: Agência ECCLESIA/LS

Torres Vedras, 17 jan 2026 (Ecclesia) – A Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa está a realizar um encontro diocesano de formação e capacitação, sobre o tema a ‘Esperança no Digital’, este sábado, 17 de janeiro, até às 18h00 no Centro de Espiritualidade, no Turcifal.

“A ideia de trazer este tema foi efetivamente ajudar as pessoas a perceberem onde é que estão os perigos, e onde é que estão as vantagens, e a partir daqui arranjar-se um ponto de equilíbrio para se gerir o digital no bom que ele pode trazer para dentro de nossas casas”, disse Rui Ramos, do casal responsável pela Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, em declarações à Agência ECCLESIA.

O assistente espiritual do Departamento da Pastoral Familiar lamentou que o digital possa ser também “um lugar dispersão, de confusão”, e a Igreja está “a fazer mal” o seu trabalho se não estiver presente “para anunciar o Evangelho, e a esperança que ilumina”.

“Devemos sempre resistir a essas dicotomias, o digital é um meio, é um instrumento, e os instrumentos podem ser usados para fins bons ou fins maus, infelizmente. Nós consideramos que o digital é uma oportunidade de muitas coisas boas, de construção de muitas coisas boas, inclusive na missão da Igreja”, acrescentou o padre Lourenço Lino em declarações à Agência ECCLESIA.

O casal coordenador da Pastoral Familiar da Diocese de Lisboa, Sandra e Rui Ramos, partem do seu exemplo, estão casados há 33 anos e têm quatro filhos – três raparigas e um rapaz -, os mais novos vivem com os pais, com 14 e 18 anos, e “o digital é a família deles”.

“Dentro daquilo que nós conseguimos, e temos essa mínima consciência, vamos tentando dosear, ou pelo menos tentar levá-los, e utilizar os meios pelo caminho do bem, digamos assim”, salientou Sandra Ramos.

“Acompanhar sempre, ou seja, tentarmos não perder o fio ao que se está a passar. Sabemos que hoje em dia o digital está omnipresente, está em todo o lado, até a forma de estudar hoje é baseada no digital, e não só em casa, mas o estudo na escola também o é”, acrescentou Rui Ramos.

Sobre os impactos do digital na saúde mental, Rui Ramos assinalou que “há uma consciência e uma evidência científica” das consequências negativas se existir “determinado tipo de limites que são ultrapassados”, e a ideia é as pessoas perceberem também “qual é o tipo de vigilância que têm de ter, sem ser obviamente uma castração, porque o digital tem de existir”: “quais é que são os caminhos corretos, e quais é que são os caminhos que devem ser evitados.”

“Temos muito essa noção que até os jovens sabem que o acompanhamento tem de ser feito a esse nível, isso é muito interessante, eles próprios terem essa noção”, observou Sandra Ramos.

O casal responsável pela Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa referiu-se também aos impactos do digital no diálogo entre gerações, e Sandra Ramos lembrou que os pais têm de ser exemplo, porque “educa-se pelo exemplo”, mas também as “gerações mais velhas”.

“Quanto à intergeracionalidade, nós temos na família esse exemplo, temos consciência que as nossas mães são utilizadoras das redes sociais e, de facto, a maneira de lidar com isto é ensinar também para cima: nem tudo o que ali está é verdade, e saberem perceber, fazer algum filtro sobre o que é que é mais credível e o que é que não deve ser considerado”, exemplificou Rui Ramos.

CREATOR: gd-jpeg v1.0 (using IJG JPEG v62), quality = 100

O encontro da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, sobre a ‘Esperança no Digital’, está a decorrer até às 18h00 , deste sábado, dia 17 de janeiro, no Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal.

“O tema da esperança é um tema fundamental da fé, e que tivemos a refletir no âmbito do jubileu e ainda estamos nesse embalo, e depois o digital é a vida dos nossos contemporâneos, é a nossa vida. É muito importante nas nossas relações, no nosso dia-a-dia e tem de ser um lugar de esperança”, contextualizou ainda o padre Lourenço Lino, sobre o tema.

Rui Ramos explicou que os participantes deste encontro são “essencialmente as pessoas ligadas à pastoral da família”, a quem se dirigiu o convite da organização, mas “muitas pessoas” fora dos núcleos da Pastoral da Família e nas paróquias pediram para estar presentes, porque é um tema que interessa “em ter mais formação, mais conhecimento”.

LS/CB

O casal Sandra e Rui Ramos foram nomeados para a missão da responsabilidade do Setor da Pastoral Familiar  em julho de 2025, pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e explicam que a ideia é “conhecer e dar os meios para ajudar” as paróquias a implementarem este setor.

“A nossa base é ter um conhecimento o mais profundo, o mais alargado possível da realidade da nossa diocese, estamos a falar de 285 paróquias, realidades completamente distintas entre meio urbano, meio rural. Há paróquias onde não existe de todo o conceito sequer da pastoral da família, há paróquias onde está extremamente bem implementada e tem ações muito relevantes”, explicou Rui Ramos.

O responsável salienta que a ideia é ter conhecimento das realidades e, a partir daí, apoiar para que “haja entreajuda, especialmente a nível paroquial”, se possível até alargado, para que realmente “a disseminação do conceito da pastoral da família e das boas práticas seja uma realidade”.

Para o padre Lourenço Lino “todas as renovações são oportunidades”, e cada vez que a pessoas novas assumem outras responsabilidades “isso permite pensar as coisas de uma outra maneira e dar um novo ímpeto”, mas a missão da Pastoral Família continua a ser a mesma de sempre.

“Ou seja, ajudar a que a Igreja se entenda como uma grande família, uma família de famílias, e que as famílias das nossas comunidades, toda a beleza que é a vida familiar, mas também nas suas dificuldades, se sinta acompanhada e sinta que o projeto familiar é um projeto querido por Deus, abençoado, de santidade”, concluiu o assistente espiritual da Pastoral Familiar de Lisboa.

Família/Sociedade: Cofundadora da Associação Mirabilis destacou benefícios e riscos do digital, onde a «Igreja tem todo o interesse em fazer caminho»

Partilhar:
Scroll to Top