Vigília na Igreja de São Tomás de Aquino reuniu departamentos juvenis de cinco Igrejas, com a presença de D. Rui Valério, que desafiou os jovens a ser «luz» para a humanidade

Lisboa, 26 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou este sábado que os jovens cristãos são chamados a ser “luz” e a indicar o caminho da paz, durante a Vigília Ecuménica Jovem participantes de várias confissões, na capital portuguesa.
“Os jovens são chamados a ser essa luz que indica a toda a humanidade o caminho que é percorrido pela esperança. E o primeiro horizonte, a primeira meta é verdadeiramente a paz”, disse D. Rui Valério à Agência ECCLESIA.
A iniciativa, que decorreu na Igreja de São Tomás de Aquino sob o tema ‘Iluminados pela Esperança’, integrou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e foi organizada conjuntamente pelos departamentos juvenis das Igrejas Católica, Evangélica Alemã, Metodista, Presbiteriana e Lusitana (Comunhão Anglicana).
Para o patriarca de Lisboa, a vigília, embora tenha um “carácter religioso”, transforma-se num “compromisso social”, especialmente “em tempos tão conturbados” como os atuais.
“Os jovens são aqueles que levam o archote no coração, que nos dizem ‘o caminho é por aqui’”, sublinhou D. Rui Valério, confiando na “capacidade de discernimento” das novas gerações para não se deixarem manipular por entidades políticas.
Sobre a dimensão espiritual do encontro, o responsável católico destacou que “o Espírito não conhece fronteiras” e usou a metáfora musical para explicar a unidade: “Quando duas vozes entoam a mesma melodia, na sua diferença, estão sincronizadas. A nossa pauta principal é o Evangelho e a nossa música é Jesus Cristo”.






João Clemente, do Departamento da Pastoral Juvenil do Patriarcado de Lisboa, descreveu o ecumenismo como uma “árvore que está a florescer”, cujos frutos, embora surjam por vezes “lentamente”, são já visíveis no “esforço de oração e trabalho conjunto” em várias paróquias.
“A única forma coerente de vivermos a nossa fé é numa lógica de diálogo e de tolerância”, referiu o responsável, lembrando que Jesus tinha um apreço especial “por aqueles que não eram da sua terra”.
A mesma convicção é partilhada por Cláudio Costa, da Igreja Metodista, que valorizou a oportunidade de congregar jovens de várias denominações em torno do “elemento comum” que os une: Jesus Cristo.
“Graças a Deus, não nos prendemos somente a este encontro anual. Temos tido outras oportunidades de poder estar com outras Igrejas, em atividades de louvor e de expandir a Boa Nova”, explicou o jovem metodista, reforçando que a missão de “espalhar o Evangelho” é também uma forma de contribuir para que “o mundo esteja em paz”.
A vivência ecuménica não se esgota nas grandes celebrações, descendo à realidade concreta do dia-a-dia.
Beatriz Polido, jovem católica da paróquia de Algueirão Mem-Martins/Mercês, está envolvida na preparação do “Encontro Cristão”, que se realizará no próximo dia 31 de janeiro, e destaca a dinâmica de “desafios semanais” partilhados entre jovens de diferentes confissões.
“Desafios semanais como ter atenção ao trânsito, sermos mais solidários no trânsito, partilhar um sorriso ou um elogio. Coisas práticas que acabam por nos encher de fé e compaixão”, relatou.
Para a jovem, o contacto com outras realidades eclesiais tem sido “uma experiência muito enriquecedora”, quebrando o preconceito de que “já conhecemos tudo”.
As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).
O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.
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