Manuel Girão apela à integração plena dos migrantes e deseja que o Jubileu inaugure uma nova dinâmica de caridade

Lisboa, 04 jan 2026 (Ecclesia) – O diretor do Departamento da Pastoral Socio-Caritativa do Patriarcado de Lisboa afirmou que a grande marca do Jubileu de 2025 é a certeza de que a Igreja tem de ir “ao encontro dos mais desprotegidos”, saindo das suas estruturas habituais.
“A Igreja tem de ir às periferias, tem de estar onde os outros não estão. Essa é a nossa missão e foi isso que este Ano Santo nos pediu”, disse Manuel Girão em entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e à Renascença.
Para o responsável, o encerramento do Ano Santo deve marcar o início de uma atitude permanente de serviço, sublinhando que a caridade cristã exige proximidade física com quem sofre.
Num momento em que o tema das migrações domina a agenda política e social, Manuel Girão defendeu uma postura de acolhimento que vá além da utilidade económica.
“Os migrantes são pessoas com histórias, com sonhos, com dores. Não podemos olhar para eles apenas como números ou como mão-de-obra que nos faz falta”, sustentou.
O diretor da Pastoral Socio-Caritativa recuperou o conceito de “celeiros de humanidade”, proposto pelo patriarca de Lisboa, para defender que as comunidades católicas devem ser espaços seguros de integração.
“A integração faz-se no dia-a-dia, no vizinho que acolhe, na paróquia que abre a porta. É preciso criar laços, conhecer os nomes, escutar as vidas”, referiu.
Sobre o balanço do Ano Santo, o entrevistado recusou qualquer leitura de encerramento definitivo, lembrando a afirmação de D. Rui Valério de que “encerrar não é terminar”.
Manuel Girão destacou que a iniciativa ‘Gestos de Esperança’, promovida ao longo de 2025, provou que a sociedade e a Igreja têm capacidade de mobilização quando desafiadas para causas concretas.
“Ficam as sementes de uma Igreja que não tem medo de tocar nas feridas. O desafio agora é transformar estes gestos extraordinários na nossa rotina ordinária”, apontou.
Durante a entrevista, o responsável partilhou ainda testemunhos recolhidos nas prisões e nas ruas de Lisboa, nomeadamente a mensagem de Nuno, um jovem sem-abrigo, para quem ter esperança é fazer o caminho “com muitos e com alegria”.
O 27.º Jubileu ordinário da história da Igreja Católica, iniciado na Noite de Natal de 2024, tem a sua conclusão a 6 de janeiro, no Vaticano, sob a presidência de Leão XIV, com o fecho da Porta Santa na Basílica de São Pedro.
OC
