Lisboa: Diocese realiza formação do Clero sobre «Doutrina Social da Igreja»

«Há pensamento social católico desde que há católicos a pensar sobre matérias sociais», destacou o professor catedrático André Azevedo Alves

Foto: Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 28 jan 2026 (Ecclesia) – O Patriarcado de Lisboa está a realizar a jornada de formação do clero, dedicada à ‘Doutrina Social da Igreja’, que refletiu sobre ‘São Tomás de Aquino e o Pensamento Social Católico’, esta quarta-feira, no Seminário dos Olivais.

“Habitualmente reservamos a expressão doutrina social da Igreja para o pensamento mais diretamente associado às encíclicas sociais, enquanto o pensamento social católico incorpora um conjunto mais vasto de contributos sobre matérias sociais, informados pela matriz católica”, disse André Azevedo Alves, o orador deste dia 28 de janeiro, citado pelo Patriarcado de Lisboa.

O professor catedrático da Universidade Católica Portuguesa (UCP) explicou que a distinção entre doutrina social da Igreja e pensamento social católico é importante para o diálogo académico e cultural, evitando uma visão redutora que situe o início da reflexão social da Igreja a partir da Encíclica ‘Rerum Novarum’, do Papa Leão XIII, ‘sobre a condição dos operários’, publicada em 1891.

“É francamente redutor achar que o pensamento social católico começa no século XIX. Há pensamento social católico desde que há católicos a pensar sobre matérias sociais”, salientou o orador.

O Patriarcado de Lisboa informa que o conferencista, que destacou a importância da prudência na aplicação concreta dos princípios do pensamento social católico, alertou para dois riscos opostos, o silêncio total perante os problemas sociais, e a tentação de emitir juízos técnicos ou políticos sem conhecimento.

“Não vamos ter soluções concretas para tudo em cada momento; o grande desafio é tentar compreender como o outro, podendo ser bem-intencionado, chega a uma posição tão diferente da minha”, explicou, sobre um exercício essencial para um verdadeiro diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo.

André Azevedo Alves apresentou ‘São Tomás de Aquino e o Pensamento Social Católico’, e salientou que uma das suas grandes contribuições foi a articulação entre fé e razão, porque “não se trata de excluir a fé do espaço público, mas de mostrar que fé e razão são articuláveis e não estão em contradição”.

Segundo o professor catedrático da UCP, quando essa tensão parece existir têm de “fazer um melhor trabalho intelectual”, e salientou também da visão integrada do conhecimento em São Tomás, inspiradora para a reflexão contemporânea, que “as questões sociais, políticas e económicas não podem ser tratadas de forma compartimentada”.

Ao clero da Diocese de Lisboa, que participa no seu seminário de formação, o orador mostrou também como São Tomás justifica a propriedade privada em função da ordem social, da responsabilidade pessoal e da paz, “é fundamental, mas está subordinada ao destino universal dos bens”.

O Seminário de Formação do Clero do Patriarcado de Lisboa, sobre o tema geral ‘Doutrina Social da Igreja’, que termina quinta-feira, começou terça-feira, decorre de 27 a 29 de janeiro, no Seminário dos Olivais.

Neste segundo dia de jornada, os sacerdotes e diáconos escutaram um painel com intervenções sobre a ‘Família’, por Maria Teresa Ribeiro, o ‘Trabalho’, com José Manuel Cordeiro, e ‘Vida económica’, por Patrícia Liz, a presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), e sessões de grupos sobre ‘Migrantes’, com Inês Espada Vieira, ‘Paz’, por Mónica Dias, ‘Salvaguarda da criação’, com Susana Réfega do Movimento Laudato Si em Portugal, e ‘Política’, por Lívia Franco.

CB/OC

 

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