Lisboa: D. Rui Valério contrapõe «cultura da pressa» à «estabilidade do coração» na abertura do Ano Jubilar Concepcionista

Patriarca de Lisboa presidiu à celebração no Mosteiro das Irmãs Concepcionistas, apresentando a vida contemplativa como a forma «mais radical» de estar presente no mundo

Santa Beatriz da Silva

Lisboa, 18 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu hoje à Missa de abertura do Ano Jubilar no Mosteiro das Irmãs Concepcionistas, onde apresentou a vida contemplativa como um antídoto contra a “cultura da pressa”.

“Nesta engrenagem onde tudo parece ter de ser ‘para ontem’, o ser humano corre o risco de se tornar um ausente de si mesmo”, indicou D. Rui Valério, na homilia da celebração, enviada à Agência ECCLESIA.

“Numa sociedade que padece de uma ‘cegueira por aceleração’, vós sois chamadas a ser o rosto de João Batista”, acrescentou.

A celebração assinalou o centenário da beatificação e os 50 anos da canonização de Santa Beatriz da Silva.

O responsável católico sublinhou que a clausura não é “um distanciamento do mundo”, mas a forma “mais radical de estar presente nele”.

“Ao cultivardes esta calma evangélica, vós tornais-vos as sentinelas que, no silêncio da oração, conseguem distinguir o passo do Cordeiro no meio do barulho das ideologias”, acrescentou D. Rui Valério.

O patriarca de Lisboa desafiou as religiosas a serem “videntes do invisível” e “sentinelas da Luz”, inspiradas pelo exemplo da fundadora da Ordem, Santa Beatriz da Silva, que definiu como uma “luz das nações” que viveu “embebida da luz de Maria”.

“Quem tem a luz do Espírito em si, adquire uma ‘visão profética’. É essa visão que vos permite olhar o mundo, com todas as suas chagas e pressas entrópicas, e discernir nele a presença de Deus onde outros veem apenas deserto”, sustentou.

O Ano Jubilar Concepcionista, que teve a sua abertura nacional em Campo Maior a 4 de janeiro, celebra a figura de Santa Beatriz da Silva.

D. Rui Valério concluiu a sua intervenção pedindo que este tempo jubilar seja um convite a redescobrir a “atenção ao real” e a “estabilidade do coração”.

“Que a vossa luz brilhe com uma clareza tal que quem olhar para este Convento não veja apenas pedras, mas veja o esplendor de quem foi ‘enxertado na eternidade’”, apelou.

OC

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