Patriarca celebrou Eucaristia na Sé e lembrou que «só quem encontrou o essencial, a paz plena, pode desapegar-se de tudo o resto»

Lisboa, 03 fev 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu, esta segunda-feira, na Sé Patriarcal, à Missa no Dia Mundial da Vida Consagrada, referindo que “quem se entrega a Deus, torna-se dádiva para a humanidade”.
“A Vida Consagrada e os consagrados são hoje, como ontem, o dom maravilhoso oferecido ao mundo, eles e elas são uma dádiva aos homens, porque se doaram totalmente a Deus”, referiu D. Rui Valério, na homilia partilhada no site do Patriarcado de Lisboa.
A Conferência Episcopal Portuguesa, em coordenação com a Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) e a Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal (CNISP), promoveu, entre 26 de janeiro e 2 de fevereiro, a Semana do Consagrado, com o lema ‘Consagrados para amar e servir’.
Lembrando o mistério da Apresentação de Jesus ao templo, o patriarca de Lisboa apresentou o exemplo da poetisa Ana que, com oitenta e quatro anos, não sai do Templo noite e dia e cuja vida é jejum e oração.
Segundo D. Rui Valério, esta figura ensina que “a consagração não é um fechamento, mas uma irradiação”, sublinhando que quanto mais profunda for a união dos consagrados à “união com Deus no silêncio do “Templo”, mais eficaz será a palavra que têm “no meio do mundo”.
“A nossa alegria deve ser a prova de que Deus basta. Numa sociedade fragmentada, a vida comunitária e a entrega radical são a ‘profecia’ de que o Reino já está entre nós”, realçou.
O patriarca de Lisboa advertiu que “hoje, a vida consagrada corre o risco de cair no funcionalismo ou no cansaço”, tanto mais que se vive “num mundo escravo da eficácia e do lucro”.
“Para esta mentalidade, a vida consagrada pode parecer uma “perda de tempo”. Mas, dizemos nós, é uma perda de tempo abençoada!”, frisou.
“Conscientes de sermos como o vaso de alabastro que se quebra aos pés de Jesus, espalhando o perfume da alegria e da gratuidade, os consagrados irradiam a alegria do Evangelho, testemunhando que o essencial da vida é Dom, que está para além do que tem preço ou que pode ser produzido pelas tecnologias de ponta”, acrescentou o patriarca de Lisboa.
Na homilia, D. Rui Valério mencionou que ao olhar para os consagrados presentes na assembleia, não vê “apenas homens e mulheres que fizeram uma escolha de vida generosa”, mas “sentinelas da aurora, testemunhas audazes de que Deus basta e que o sentido da vida é ser para Ele”.
Olhando para Maria e José, que caminham na ‘obediência da fé’, descobrimos que a vida consagrada não é um projeto pessoal de perfeição, mas um ato de pertença total”, indicou.
O patriarca de Lisboa defendeu que “só quem encontrou o essencial, a paz plena, pode desapegar-se de tudo o resto”, ressaltando que “também a consagração nasce sempre da escuta”.
“Na pobreza, castidade e obediência, os consagrados dizem ao mundo que a única palavra que não passa é o Verbo, e Verbo Encarnado. Consagrar-se é deixar que a Escritura “respire” em nós, transformando a nossa rotina num diálogo ininterrupto com o Esposo”, declarou.
Na Igreja Católica, a Vida Consagrada é constituída por homens e mulheres que se comprometeram, pública e oficialmente, a viver (individualmente ou em comunidade) os votos de pobreza, castidade e obediência para toda a vida.
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