Liberdade religiosa: Vera Jardim pede espaços de culto interconfessionais no urbanismo de Lisboa

Càmara Municipal inaugurou espaço multirreligioso para funerais, no Cemitério de Carnide

Lisboa, 04 abr 2025 (Ecclesia) – O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, e Vera Jardim, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, inauguraram hoje no Cemitério de Carnide o ‘Edifício Saudade’, complexo multirreligioso para funerais que quer dar resposta às necessidades das diferentes tradições.

“A Lei de Liberdade Religiosa prevê espaços para a prática do culto nas novas urbanizações e deveriam existir mais locais que, a exemplo deste, possam acolher diversas confissões religiosas” afirmou Vera Jardim, durante a cerimónia.

O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa quis sensibilizar quem projeta a cidade para a necessidade de contemplar espaços multirreligiosos que permitam o culto, sustentando que está em causa “não apenas a liberdade de ser religioso, mas também a liberdade de coletivamente praticar o culto”.

Já o presidente da CML sublinhou que o novo edifício vem reforçar o conhecimento e a proximidade entre as diversas identidades religiosas que comprovam, em Lisboa, a tradição de acolhimento e multiculturalidade da cidade.

Carlos Moedas afirmou “aceitar o repto” e continuar a trabalhar nesse sentido. Do Edifício Saudade disse “ser um símbolo da Lisboa que queremos construir, uma cidade plural que não tem medo da diversidade”.

O autarca lembrou que 30% da população atual da cidade não nasceu em Lisboa.

A diversidade de cultos e tradições representa, para Carlos Moedas “uma força absolutamente única”, acrescentando que “a democracia fica mais forte quando as vozes das minorias são ouvidas”.

Realçando a laicidade do cargo público que ocupa, o presidente do município sublinhou “o dever de dialogar com as diferentes religiões e de as apoiar, porque elas são fundamentais para uma sociedade saudável”.

Este espaço resulta da auscultação das diferentes religiões e foi concebido tendo esses critérios em conta, como refere a coordenadora do Edifício Saudade, Eugénia Abrantes.

A equipa do espaço tem como referência um guia multirreligioso e multicultural, sobre temas como o conceito da morte nas diversas religiões e culturas e como se processa a cerimónia fúnebre.

“Trata-se de informação que é fundamental para toda a equipa que acompanha os ritos fúnebres na rua relação com as agências funerárias, familiares e as próprias religiões”, explica à Agência ECCLESIA Eugénia Abrantes.

O Edifício Saudade, no Cemitério de Carnide, possui quatro salas de velório que podem ser personalizadas de acordo com a tradição religiosa e um espaço para cerimónias de despedida.

O complexo multirreligioso para funerais, que quer dar resposta às necessidades das diferentes tradições religiosas, possui ainda uma sala de tanatopraxia (preparação de cadáveres) e o forno crematório, e que vem reforçar os já existentes na cidade de Lisboa.

HM/OC

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