D. Andrés Carrascosa Coso realizou percurso pelos locais fustigados pelo temporal na primeira visita fora de Lisboa e viu a «dimensão do desastre»

Leiria, 10 fev 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal visitou hoje os locais mais atingidos pela tempestade Kristin em Leiria, onde contactou com o sofrimento das populações e diz ter ficado impactado com a sua resiliência.
“Eu quis vir a Leiria como a primeira saída de Lisboa após a apresentação das cartas credenciais, porque estava ciente daquilo que o pessoal está a viver. Mas uma coisa é escutar, outra coisa é colocar o pé no terreno e ver a dimensão do desastre e o sofrimento das pessoas, pessoas sem eletricidade”, afirmou D. Andrés Carrascosa Coso, em declarações à Agência ECCLESIA.
Depois de se ter encontrado com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esta segunda-feira, no Palácio de Belém, o representante diplomático do Papa passou hoje o dia em Leiria, região fortemente afetada pelo mau tempo.
“Fico impressionado com a resiliência deste povo. Eu tenho visto alguns lugares que já foram reparados. Fiquei realmente impressionado”, expressou.
D. Andrés Carrascosa Coso manifestou ter gostado “muito” de ver o trabalho das Forças Armadas, da Cáritas, de instituições privadas e voluntários, que se uniram num espírito conjunto “impressionante”.
“Hoje eu quis começar em Fátima para colocar nas mãos de Nossa Senhora tudo isto. Porque isto merece”, disse o núncio apostólico, que esta manhã presidiu à Eucaristia no Santuário de Fátima, onde rezou pelas vítimas da tempestade.
O responsável diplomático da Santa Sé recordou a mensagem de solidariedade enviada pelo Papa a Portugal, a propósito do temporal, em que comunicou o pesar pelas pessoas que perderam a vida e reconheceu o “empenho das organizações eclesiais, sem esquecer a espontânea entreajuda de cada cidadão”.
“Eu quis sublinhar tudo isto hoje”, disse.
Questionado se vai sair mais vezes de Lisboa, D. Andrés Carrascosa Coso assumiu que não é um núncio “de ficar no escritório” e que vai “tentar de estar perto da Igreja e da população”.
O bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, acompanhou o percurso do representante diplomático do Papa pela cidade, que considerou “importante” e realçou que partiu da vontade do novo responsável.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa enfatiza a relevância de mostrar proximidade com os atingidos pela tempestade, transmitindo-lhes que “não vivem sozinhos”.
“Estando aqui num centro precisamente de solidariedade, isto dá-nos bem a dimensão do drama e das necessidades das pessoas, mas também dá uma perspetiva da vaga de solidariedade que tem percorrido o país e não só, também no estrangeiro”, indicou.
D. José Ornelas relata que “toda a gente anseia pela regularização das condições básicas, uma das quais é a energia”, “aquela que mais tem faltado”, no entanto também reconhece a “complexidade” que significa a “solução destes problemas”.
“Tantas vezes um esforço até perigoso, que já causou uma vítima direta desta situação de reparação da rede elétrica e os nossos sentimentos à família e o nosso reconhecimento também a todos aqueles que estão a trabalhar”, lembrou.
O bispo de Leiria-Fátima faz votos de que a eletricidade “se reponha o mais brevemente possível”, porque, de facto, dela “dependem muitas outras coisas, como comunicações”, “água” e “tantas outras condições de vida”.
Sobre os locais de culto atingidos pelo temporal, D. José Ornelas explica que, neste momento, está a realizar-se um levantamento da quantificação dos estragos para depois se proceder à “avaliação concreta das intervenções”.
“E depois de ver, também consoante a natureza delas, onde é que se pode ir buscar ajudas. Algumas já estão a ser quantificadas pelo Instituto do Património Nacional”, relata.
O bispo espera que “este momento de carência e de necessidade pública seja também equacionado em termos da intervenção do Estado”, mas entende que a prioridade são as “necessidades próprias das pessoas e das famílias”.
“Estamos também confiantes e temos também muita gente a todos os níveis a colaborar nisto, também na previsão dos recursos necessários para atender aos equipamentos religiosos, e também isto está a ser equacionado para ver a forma como vamos resolvê-lo”, concluiu.
Segundo informa a Lusa, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta em Portugal provocou a destruição de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, além de 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
HM/LJ/PR
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