Leiria: «Surgiram muitos casos de vulnerabilidade que não existiam», alerta técnica social da Cáritas, que está a «receber as famílias»

Joana Pinheiro afirma que «é possível muita esperança», e incentiva à «resiliência, muita paciência», as instituições estão «a fazer o possível para chegar ao terreno»

Foto Agência ECCLESIA/PR, Cáritas Diocesana de Leiria

Leiria, 07 fev 2026 (Ecclesia) – Joana Pinheiro, técnica de apoio social da Cáritas Diocesana de Leiria, destaca que “são já dez dias de adrenalina completa” de apoio às populações afetadas pela passagem da tempestade Kristin, neste momento está “receber as famílias”, com “todo tipo de necessidades”

“Eu estou mais a receber as famílias, o meu papel aqui é fazer a triagem para os cabazes, perceber as necessidades, identificar aquelas que têm maiores dificuldades, e que vão enfrentar maiores dificuldades para que no futuro consigamos ajudar de forma mais sistematizada”, disse a jovem natural de Viana do Castelo, este sábado, em declarações à Agência ECCLESIA, em Leiria.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, no dia 28 de janeiro, causou mortes, vários feridos e desalojados; Os distritos que registam mais estragos foram Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém.

Joana Pinheiro explica que naquele armazém, neste momento, estão “apenas a dar um apoio de emergência”, após a triagem, e ter percebido as necessidades, que são “o mais diferente possível, todo tipo de necessidades”, pede os cabazes e, depois de estarem feitos, procede à sua entrega.

“Muitas delas sem receber ainda, muitas delas com os seus postos de trabalho destruídos. Vemos aqui muita gente que normalmente não tem estas dificuldades, mas a realidade é que não há água, não há luz, não têm como cozinhar, aquilo que tinham em casa estragou-se, por isso surgiram aqui muitos casos de vulnerabilidade acrescida, que não existiam antes, que tinham as suas vidas estabilizadas, e, neste momento, precisam de nós”, desenvolveu a técnica de apoio social.

A entrevistada, que está a realizar o seu estágio profissional na Cáritas Diocesana de Leiria, preocupada com o futuro das pessoas salienta que os efeitos da tempestade vão “criar algumas necessidades efetivas que se vão prolongar”, não só as que estão a apoiar de emergência, e, sublinha, que “há pessoas que têm casas para reconstruir, postos de trabalho que perderam”.

“Pessoas que estão aqui numa vulnerabilidade acrescida que se vai manter, nós temos a noção disso e estamos a preparar-nos para isso, e a tentar construir aqui uma resposta mais organizada para as necessidades das pessoas que vamos encontrando”, realçou,

Joana Pinheiro contabiliza que “são aqui já dez dias de adrenalina completa, sempre de um lado para o outro”, mas, salienta, que a equipa da Cáritas Diocesana de Leiria consegue manter a “alegria” e a “boa disposição não falta”.

“Graças a Deus temos uma equipa bem disposta, que apesar do cansaço está sempre de sorriso na cara e nas brincadeiras uns com os outros, e isso é muito importante para mantermos a nossa sanidade, mantermos o foco naquilo que é importante, e não nos perdermos no meio deste caos que infelizmente está à nossa volta.”

Foto Agência ECCLESIA/PR, Cáritas Diocesana de Leiria

A jovem técnica de intervenção social explica que a Cáritas tem “avisado os voluntários” que vão precisar deles ainda durante algum tempo, precisam de “todos os esforços possíveis”, porque há muitas coisas em armazém, “muita coisa para distribuir, e muitos projetos ainda para começar”.

Às vítimas da depressão Kristin pede “resiliência, muita paciência”, porque as instituições estão “a fazer o possível para chegar ao terreno”, mas “o tempo não está a ajudar, está a ser muito difícil começar a chegar às casas”, e é preciso que as pessoas cheguem também às organizações, às juntas de freguesia, que peçam “ajuda, explicar as suas situações, porque chegar a toda a gente, porta em porta, é impossível”.

“É possível muita esperança, e bola para a frente, a gente vai dar a volta, não está nada perdido, vamos reconstruir aquilo que conseguirmos, o que não conseguirmos mudamos. Vamos conseguir, todos juntos a gente consegue e graças a Deus as pessoas têm-se mobilizado, os recursos mobilizam-se, toda a gente está na rua a ajudar, eu acho isso muito importante, e temos tudo para que, daqui para a frente, só venha a melhorar.”

PR/CB

Joana Pinheiro está a fazer o estágio profissional na Cáritas Diocesana de Leiria, instituição que a acolheu também no estágio curricular, e destaca que atraiu-a a voltar “a energia da equipa, o trabalho com as pessoas, de proximidade, a liberdade que a direção dá de estar perto das pessoas, de interpretar os casos sociais”.

Para a jovem de Viana do Castelo a opção pelo curso de Serviço Social surge do “amor pelas pessoas, o amor pela ajuda”, o por poder “chegar a sítios onde não conseguiria de outra forma”, e, no caso da Cáritas Diocesana, “pela forma humilde e empenhada que ajudam as pessoas, é um trabalho de coração”.

“É um trabalho complicado, às vezes é frustrante, mas no final do dia é mais gratidão do que acima de tudo: é gratidão por estar aqui, pelo lugar privilegiado que temos em ajudar as pessoas, e em ser próxima delas nos momentos mais difíceis das vidas”, realçou a entrevistada.

Joana Pinheiro, após o estágio, ficaria na Cáritas Diocesana de Leiria, porque adora o espaço, a equipa de voluntariado e a equipa técnica, “são todas incríveis”.

“Tudo o que eu sei foram estas pessoas que me ensinaram, graças a Deus a minha equipa ensinou-me tudo aquilo que eu sei agora, foram eles que me orientaram, que me deram este senso de equipa, de responsabilidade, foi passado deles. Eles são a minha motivação também, são eles que fazem com que eu cá esteja hoje na Cáritas, é principalmente por causa da equipa”, acrescentou a técnica de apoio social, que está ao serviço das populações afetadas pela passagem da tempestade Kristin.

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