Leiria: Reitor do Santuário dos Milagres afirma que foi «milagre» a depressão acontecer durante a noite
10 Fevereiro, 2026 12:32
Padre Virgílio do Rocio Francisco lembra que, se fosse de dia, «seria uma tragédia muito diferente, para pior» e afirma que, depois das habitações, é urgente arranjar o telhado da igreja, deixando para depois a recuperação dos pináculos, «pedras enormes», que caíram com a tempestade
Leiria, 10 fev 2026 (Ecclesia) – O reitor do Santuário dos Milagres, na Diocese de Leiria-Fátima, disse à Agência ECCLESIA que, se fosse de dia, a tragédia provocada pela depressão Kristin seria “muito diferente para pior”.
“Houve milagres! Há pessoas que dizem e também consideram: se fosse de dia, seria uma tragédia muito diferente para pior”, afirmou o padre Virgílio do Rocio Francisco
Situado a seis quilómetros da cidade de Leiria, o Santuário dos Milagres ficou destelhado com a passagem da tempestade e pináculos do templo caíram e partiram.
“Tinha ouvido nas notícias que ia haver aqui temporal, mas nunca imaginei uma coisa assim. E muito menos que os pináculos da Igreja, que no outro dia estavam partidos. Quando subimos aqui acima foi um certo desencanto: a igreja destelhada, bastante destelhada, os pináculos partidos, aquelas pedras enormes”, referiu padre Virgílio Francisco, moderador da Equipa Presbiteral da Unidade Pastoral dos Milagres.
Situado numa das zonas mais afetadas pelo mau tempo, a freguesia dos milagres tem eletricidade a partir de um gerador, árvores caídas na floresta e muitas casas destelhadas, que estão a ser reabilitadas com a ajuda de voluntários e a presença de militares.
“Cada um está a ver muito a sua parte, o seu problema e dos seus amigos e dos seus vizinhos. Aqui também tem havido não só a solidariedade aqui da comunidade, das pessoas de cá, mas talvez mais ainda daqueles voluntários que vieram do país inteiro, seja através dos bombeiros, seja através dos militares da marinha, seja através dos escuteiros, que tivemos muita ajuda, que veio solidariedade”, afirmou o padre Virgílio Francisco.
Foto Agência ECCLESIA/PR, padre Virgílio do Rocio Francisco
O reitor do Santuário dos Milagres afirma que a prioridade é recuperar as habitações, e coloca urgência também na cobertura da igreja, deixando para uma fase posterior a recuperação dos pináculos, sendo necessário envolver os “técnicos necessários”, nomeadamente do Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), que já visitaram o edifício.
O padre Virgílio Francisco recolheu todas as partes partidas dos pináculos, “seja para que não haja percas, seja para que não haja tentações de alguém que goste de alguma pedra”
No último fim de semana, as celebrações não decorreram no Santuário dos Milagres, mas num salão da paróquia, uma vez que o templo aguarda que o telhado seja coberto para depois ser feita uma avaliação da sustentabilidade do edifício e da infiltração de água nas paredes por parte da Proteção Civil.
Rumo à celebração dos 300 anos de devoção ao Senhor dos Milagres, em 2028
Foto Agência ECCLESIA/PR, Rui Pina
Rui Pina é do Conselho Económico do Santuário dos Milagres e foi dos primeiros a chegar à igreja, na manhã da depressão Kristin, apesar das estradas cortadas, lembrando que tinha uma “uma grande preocupação em relação ao Santuário”.
“Quando o reparamos nos estragos, ficámos realmente… Não estávamos à espera! Pelo peso dos pináculos e tudo, ainda não percebemos como é que é possível a força do vento ter colocado aquilo ao chão”, referiu.
No dia da tempestade, Rui Pina confirmou também o significado do Santuário dos Milagres para a população local que, desde as primeiras horas da manhã, acorreu à igreja numa “demonstração da fé”.
“Quando estávamos a fazer a limpeza do Santuário, que abrimos as portas para o fazer, estava bastante sujo, foram entrando vários moradores da zona, também pessoas desconhecidas, provavelmente de zonas mais afastadas, para orar ao Senhor do Milagres, colocar uma vela, também em demonstração dessa fé e a devoção, não só ao Senhor dos Milagres, mas por toda esta situação que estão a passar”, disse o colaborador da paróquia.
Rui Pina refere que a comunidade “está toda ela a passar por dificuldades”, a recuperar as suas casas e a normalidade da vida, numa ocasião em que o Santuário se prepara para assinalar os 300 anos do milagre que deu origem à devoção ao Senhor dos Milagres, quando um marinheiro oriundo do Norte foi curado, em 1728.
“Estamos a caminho dos 300 anos desse milagre, estamos a preparar uma grande celebração. Não é esta tempestade que nos vai impedir de o fazer, em 2028. Não vamos só festejar esse milagre, mas todos os milagres têm feito desde esse ano, porque, de facto, vêm muitas pessoas a orar e a agradecer aos Senhores dos Milagres por milagres que acontecem todos os dias”, afirmou Rui Pina.
Situado na Diocese de Leiria-Fátima, o Santuário dos Milagres “é tudo” para a comunidade, não só local mas diocesana e para além dela, que “vive à sombra” do templo.
Foto Agência ECCLESIA/PR, Santuário dos Milagres
“Este santuário é tudo, porque basta ver o nome, Milagres. O santuário é a força da comunidade e esta comunidade vive à sombra deste santuário. É realmente muito importante, não só para a comunidade local, mas também para toda a região centro. É o único santuário da diocese em que a devoção é Jesus Cristo, todos os restantes são marianos, e essa força e essa necessidade também de orarem a Jesus Cristo, trazem as comunidades a este local”, afirmou.
Após o milagre, o Santuário do Senhor dos Milagres começou a ser construído em 1732, concluindo-se o interior do edifício em 1750 e, no exterior, as torres e o gradeamento da galilé superior, terminaram no final do século XIX.