Padre Jacinto Gonçalves também está no terreno, já tem a marca de uma telha na cabeça, e destaca união e compromisso das pessoas na recuperação do património paroquial

Ourém, 07 fev 2026 (Ecclesia) – Na Paróquia de Urqueira, em Ourém, na Diocese de Leiria-Fátima, a igreja ficou destelhada na passagem da depressão Kristin nesta região, agora, as “pedras vivas tratam das pedras que caíram”, e já mudaram o lugar das celebrações.
“Esta paróquia é profundamente cristã, as pessoas participam realmente muito, pedras vivas que temos aqui, e estas pedras vivas agora tratam das pedras que caíram, e a população tem feito o seu melhor, tem havido voluntariado, pessoas que deixam as próprias casas para vir ajudar na paróquia, na igreja”, disse o pároco de Urqueira, a terra do patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, este sábado, 7 de fevereiro, em declarações à Agência ECCLESIA.
O padre Jacinto Gonçalves recorda que “foi muito assustador, quer a noite, quer depois o amanhecer”, a passagem da depressão Kristin por Portugal continental, no dia 28 de janeiro, porque as telhas caíram para o adro da igreja de Urqueira e para a estrada, e “era um monte de cacos”.
“De manhã só víamos carros a passar por cima de cacos, então era realmente aflitivo ouvir esses sons pela manhã, e, sobretudo, depois, quando tive claridade e comecei a ver que quer na igreja, quer no centro paroquial, quer na casa paroquial, os telhados tinham voado, e ver as consequências da falta dos telhados foi as inundações”, acrescentou.
O pároco de Urqueira, em Ourém, explica que já fizeram um “grande trabalho na limpeza, na remoção de todos os objetos do interior da igreja”, para que possam preservar aquilo que receberam e com que vão contar no futuro, e a população entrou na “onda de voluntariado até este momento, para que começarem a “planear a reconstrução”, que tem de ser “com a ajuda de todos”.
“Tem havido uma entreajuda muito grande. Na parte da igreja, tudo o que diz respeito à paróquia, as pessoas mais comprometidas fizeram o seu melhor, trabalharam à chuva, ao vento, nestes últimos dias, e fizeram realmente um trabalho meritório. Tivemos também ajudas, no domingo recebemos uma equipa de jovens, creio que vieram de Fátima, nem os conhecíamos”, explicou o sacerdote.

O padre Jacinto Gonçalves espera que “a igreja esteja reconstruída em agosto”, na festa, e adianta que já começaram a celebrar alguns “momentos importantes” para a comunidade no Salão Paroquial, nomeadamente a Eucaristia, os funerais, e aponta também para a Páscoa, é “no salão de festas” que vão ficar nos próximos meses.
Há uma semana, conseguiram “improvisar a igreja” no Salão Paroquial, com algumas limitações, “às escuras praticamente, não havia ainda energia elétrica”, e celebraram a Missa do domingo, “única na paróquia”, onde este domingo vão “celebrar novamente”.
O sacerdote destaca que celebraram a Eucaristia com “dignidade e alguma beleza”, porque as pessoas decoraram o salão “à dimensão de uma igreja provisória, mas uma igreja verdadeira” onde podem celebrar “com tranquilidade”.
A casa do padre Jacinto Gonçalves não teve “nenhum estrago”, por isso, está também a “ajudar aqueles que tiveram estragos”, e, esta sexta-feira, já ficou com “uma marca”, quando “uma telha que se desprendeu” caiu-lhe na cabeça.
“Estou extremamente cansado, uma vez tenho andado também no terreno, quer nas igrejas, quer até ir a ajudar algumas pessoas que precisam. E, por acaso, ontem, numa ajuda uma telha que se desprendeu e que me fez uma marca, mas isto é o menos, o importante é o coração estar cheio e nós podemos também ser úteis uns aos outros”, desenvolveu o padre Jacinto Gonçalves.
PR/CB
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A Urqueira é a terra-natal do patriarca de Lisboa, e “todas as vezes” que D. Rui Valério está na freguesia “a igreja pertence-lhe”, adianta o sacerdote que salienta que “é uma pessoa muito considerada nesta paróquia, e, desde o início, se manifestou solidário”. “Manifestando todo o desejo que possamos reconstruir a nossa aldeia, a nossa comunidade, e realmente a mensagem dele foi muito encorajadora, que me mandou pessoalmente para a comunidade que cristã”, acrescentou. Segundo o padre Jacinto Gonçalves já tiveram também outras manifestações de solidariedade, “até de Israel, alguém perguntou como é que pode ajudar, como é que pode participar na reconstrução da igreja da Urqueira” “O mundo inteiro vê imagens que nós ainda não vimos, uma vez que não temos comunicações, e de todo lado vão chovendo estas mensagens que nos encorajam também a sermos pessoas de esperança, aliás se não fossemos de esperança não éramos Igreja”, desenvolveu, assinalando que, nesse sentido de esperança, contam “com uma palavra amiga, com uma mensagem, com um pequeno gesto”. A depressão Kristin causou mortes, vários feridos e desalojados; os distritos que registam mais estragos foram Leiria, por onde a depressão entrou no território nacional, Coimbra e Santarém.
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