Leiria: De ações de limpeza a distribuição de bens essenciais através da Cáritas, onda de solidariedade invade região, após passagem da depressão Kristin

Desde o lançamento do Fundo de Emergência Social Diocesano já foram angariados cerca de 200 mil euros

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Leiria, 31 jan 2026 (Ecclesia) – Centenas de voluntários estão a participar em ações de limpeza e distribuição de bens essenciais, através da Cáritas Diocesanas de Leiria, nesta região, após a passagem da depressão Kristin pelo território nacional.

“Nós tínhamos uma Assembleia Geral hoje e amanhã e ela foi adiada para março para podermos de facto também estar mais disponíveis, para podermos ajudar, para podermos colaborar, para dar o apoio necessário à população, às famílias e às dezenas ou centenas de voluntários que estão no terreno também”, afirmou Ivo Faria, chefe nacional do Corpo Nacional de Escutas.

Em declarações à Agência ECCLESIA, em Leria, o responsável explica que os escuteiros estão a dar apoio na distribuição de refeições, de água, além de estarem disponíveis para fazer trabalhos de reparações que estejam ao seu alcance.

“O escutismo trabalha para criar nos nossos jovens este sentido de estarem disponíveis, de estarem alerta para poderem servir as comunidades locais”, referiu.

Estes desastres têm, para Ivo Faria, “um sentido pedagógico que ajuda os jovens a ganharem consciência dos efeitos” das “alterações climáticas” e de como trabalhar para prevenir que situações como estas aconteçam, “com gestos quotidianos” que ajudem “a poupar um pouco a água e os recursos”.

Edgar Santos, do Departamento Regional de Proteção Civil e Segurança, do CNE de Leria-Fátima explica que não está a ser possível dar resposta a tanta ajuda: “Felizmente os escuteiros são assim, quando é preciso eles aparecem”.

“Há, efetivamente, algumas pessoas que nós ainda não conseguimos responder. Vamos tentando, à medida do possível, mas são muitas pessoas a mandar mensagens que querem vir ajudar, muitos grupos a juntarem-se em várias regiões, desde o Porto até ao Algarve”, revela.

O entrevistado assinala que “mais uma vez os escuteiros provam o seu valor”, indicando que, “sempre que é preciso”, estes respondem.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Constança Alves, do Agrupamento 774 Queijas, do núcleo da Barra, zona de Oeiras, Lisboa, é um desses casos.

“Nós, quinta-feira já começámos a ver se existiam grupos de voluntariado e de trabalho, mas só na sexta-feira, depois já do estado de calamidade estar mais concreto, é que começámos a ver mobilização”, relata.

A escuteira dá conta que depois o CNE começou a lançar uma circular e a “publicar as informações sobre quem queria vir ajudar”: “Então nós, de uma hora para a outra, decidimos cancelar a nossa atividade de hoje e juntar-nos e virmos para cá”.

“Nós no escutismo e principalmente nós caminheiros, que é a quarta secção, nós somos muito chamados ao serviço. E foi bastante fácil para nós decidirmos vir para cá ajudar, precisamente por causa disso”, refere.

Porque o serviço não tem de ser algo planeado em que, ok, daqui a uma semana vamos a um lar de idosos fazer companhia. Se a região de Leiria e outras zonas do país precisam de nós de um dia para o outro, nós somos chamados a ajudar e por isso é que viemos”, acrescenta a jovem.

Esta manhã, uma ação de limpeza juntou cerca de 600 pessoas, segundo o vereador da Proteção Civil da Câmara de Leiria, Luís Lopes, junto ao Estádio Municipal de Leiria para limpar a cidade.

“Reparem que divulgámos isto ontem, é uma mobilização absolutamente extraordinária”, expressou.

José Costa, de Leria, é um dos voluntários e recorda como encontrou a localidade: “Foi um caos, muita destruição por onde a gente anda”.

“Eu fui dar uma volta à cidade para ver como é que estava e estava mesmo destruição para toda a zona. Carros destruídos, casas destelhadas, pessoal na rua. Está mesmo complicado andar em Leiria”, descreve.

“Acho que com um pouquinho que cada um fizer, eu acho que ao fim se torna um dia melhor para todos”, declarou.

A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima é um dos locais onde a ajuda acontece, sendo um dos pontos de entrega de bens essenciais aberto este fim de semana.

“Sábado e domingo vamos estar aqui, durante toda a próxima semana, isto é, vamos estar portas abertas. Enquanto a comunidade precisar nós estaremos aqui”, disse Nelson Costa.

“Neste momento, o Centro de Logística, a nível de recolhas de bens alimentares e produtos de higiene, centralizou-se tudo na Cáritas de Diocesana de Leiria. E, neste momento, já no dia de hoje, já colocámos a nossa equipa técnica no terreno”, indicou.

Entre os muitos voluntários está a irmã Marta Couto, da associação dos Silenciosos Operários da Cruz, que conhecendo um pouco da realidade da diocese, percebeu desde cedo, até pela falta de comunicações, da grande necessidade de apoiar a população.

“Assim que tivemos a oportunidade, assim que pudemos, decidimos vir ao terreno tentar ajudar de alguma maneira”, conta.

A Cáritas Diocesana criou “Fundo de Emergência Social”, que permitirá acelerar e reforçar o apoio às famílias atingidas pela depressão Kristin.

“Neste momento estamos a angariar fundos para, posteriormente, criar uma equipa de trabalho, juntamente com os municípios que sofreram com esta tempestade, para depois o dinheiro que nos vai ser confiado ter o seu destino mais correto, como é óbvio, de apoio às famílias que sofreram com esta grande intempérie”, explicou Nelson Costa.

Num comunicado enviado esta tarde à Agência ECCLESIA, a instituição informa que, “não sendo possível, de momento, apurar um valor exato dos donativos devido às dificuldades de acesso às comunicações”, desde o lançamento deste mecanismo, “foram angariados cerca de 200 mil euros”.

“A Cáritas Diocesana de Leiria encontra‑se a envidar esforços no contacto com diversas entidades locais, nomeadamente Juntas de Freguesia, e já está presente em várias paróquias, levando alimentos e articulando diretamente com as comunidades para garantir que o apoio chega de forma eficaz a quem mais necessita”, pode ler-se.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando mortes, vários feridos e desalojados.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

HM/LJ/OC

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