João Paulo II satisfeito com o estado das relações entre Portugal e a Santa Sé

Novo embaixador de Portugal junto da Santa Sé foi hoje recebido pelo Papa João Paulo II manifestou-se hoje satisfeito com o actual estado das relações entre Portugal e Santa Sé, que considera terem saído fortalecidas com a assinatura da nova Concordata, a 18 de Maio passado. “A assinatura da nova Concordata entre a Santa Sé e Portugal, não vem a ser mais do que a expressão viva de um consenso maturado para reforçar a presença desta ‘alma’ cristã fundada nas profundas relações históricas entre a Igreja Católica e Portugal”, disse o Papa, ao receber esta manhã o novo Embaixador da República Portuguesa junto da Santa Sé, João Alberto Bacelar Da Rocha Paris. O chefe da Igreja Católica agradeceu ainda o facto de as autoridades do governo português terem defendido a inclusão de uma referência ao Cristianismo na futura Constituição Europeia. “Desejo aproveitar esta ocasião para exprimir o meu reconhecimento pela acção do seu Governo em ressaltar a identidade cristã da Europa, e faço votos por que as convicções que dela derivam possam afirmar-se tanto no âmbito nacional como internacional”, referiu. Na cerimónia de apresentação das Cartas Credenciais do novo Embaixador, João Paulo II manifestou mais uma vez a sua particular afeição para com o povo português, recordando “os dias das minhas Visitas Pastorais à sua terra, mormente ao Santuário de Fátima, quando pude pessoalmente constatar as raízes cristãs dessa Nação abençoada e protegida por Nossa Senhora”. O Papa agradeceu as saudações do Presidente Jorge Sampaio e do povo português, retribuindo com “os votos de bem-estar e prosperidade para todo o país e a certeza das minhas súplicas ao Altíssimo para que continue inspirando sentimentos de recíproco entendimento e de fraternidade que hão-de permitir a edificação da Pátria como casa e obra de todos”. “Meus auspícios são de um Portugal actuante e destemido, sempre aberto aos novos desafios da nossa sociedade, e ciente de que o Todo-Poderoso não deixará de mãos vazias aos que se empenham em confiar em seus desígnios”, apontou. No discurso que apresentou ao Papa, o Embaixador Rocha Paris sublinhou a ligação secular que une Portugal à Santa Sé, defendeu a língua portuguesa utilizada por milhões de católicos, recordou que Portugal deu origem a mais de um quinto das dioceses em todo o mundo e evocou as recentes posições do Governo sobre a paz no Médio Oriente e em África sobre a defesa da vida, a identidade cristã da Europa e o persistente reforço do estatuto da Santa Sé na ONU. Humanizar a mundialização A segunda parte do discurso do Papa foi dedicada à explicação da acção da Santa Sé no actual cenário socio-político mundial. João Paulo II mostrou-se preocupado com a a acentuação das diferenças regionais, a salvaguarda da paz, a fome, o fosso entre ricos e pobres, bem como o terrorismo. Ao representante da República Portuguesa, o Papa lembrou “os esforços da Santa Sé no sentido de humanizar a mundialização e de captar a influência benéfica do progresso científico e tecnológico em vista do maior bem-estar de cada povo ou nação”. “Os referidos desafios poderão ser mais bem equacionados e apresentados à opinião pública da Comunidade Internacional, se entrarem como elementos duma lógica de desenvolvimento, na qual as forças vitais da sociedade local constituam a sua força propulsora”, disse o Papa. O discurso deixou como caminhos de solução propostas como a de “associar os cidadãos aos projectos da sociedade e dar-lhes confiança naqueles que os governam e na Nação de que são membros”. O novo embaixador português O Embaixador João Alberto Bacelar Da Rocha Paris nasceu a 19 de Abril de 1945, em Viana do Castelo. Casado e pai de duas filhas, é laureado em Direito pela Universidade de Lisboa. A sua experiência Diplomática já o levou a Madrid, São Tomé, Orleans, Estrasburgo, Bruxelas, Luanda e Washington. Antes de partir para o Vaticano desempenhava funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Notícias relacionadas • Discurso do Papa ao novo embaixador português junto da Santa Sé

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