João Paulo II espera que a comunidade internacional encontre mecanismos para se chegar a uma distribuição equitativa dos recursos económicos mundiais, pedindo uma maior atenção para “as condições de extrema pobreza que afligem milhões de pessoas. A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou na passada sexta-feira uma carta dirigida pelo Papa João Paulo II ao Cardeal Renato Martino, presidente do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, onde o Papa pede aos países mais desenvolvidos à solidariedade para colocarem um ponto final na crise da dívida dos países pobres. A carta do Papa, enviada devido ao seminário internacional “Pobreza e Globalização: Financiar o Desenvolvimento e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” patrocinado pelo Dicastério, assegura aos participantes o seu apoio “nesta importante tarefa”. “As condições de pobreza extrema que afectam milhões de pessoas são motivo de grande preocupação para a comunidade internacional”, sublinhou. João Paulo II lembrou que “através de numerosos órgãos católicos, de ajuda e desenvolvimento, a Igreja contribui para a realização destes objectivos (os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio), prosseguindo na tarefa de Cristo, que veio para trazer a Boa Nova aos pobres, para dar de comer aos que têm fome, para servir e não para ser servido”. O Papa destaca na carta tudo o que já foi feito para reduzir a dívida que aflige os países pobres, mas aponta que “ainda há muito que ser feito se queremos que as nações em desenvolvimento escapem dos efeitos paralisantes da falta de investimentos e que os países desenvolvidos cumpram com seu dever de solidariedade com seus irmãos e irmãs menos afortunados noutras partes do mundo”. “De curto a médio prazo, o compromisso de incrementar a ajuda estrangeira parece ser o único caminho viável e a Igreja acolhe de bom grado a busca de soluções inovadoras, como o Serviço de Financiamento Internacional”, destaca. Na conclusão da missiva, o líder da Igreja católica adverte que “a ajuda financeira das nações mais ricas requer a obrigação por parte de quem recebe de demonstrar transparência e fiabilidade no emprego dessa ajuda”.
