«A comunidade internacional não pode fugir das suas responsabilidades sob o pretexto de outras urgências», advertiu o Papa num dos discursos mais importantes do ano João Paulo II manifestou hoje o seu profundo desagrado pelo arrastar da situação de violência na Terra Santa e exigiu à comunidade internacional que assuma as suas responsabilidades para colocar fim “ao confronto permanente dos povos israelitas e palestinianos”, que dura há mais de 50 anos. “A comunidade internacional não pode fugir das suas responsabilidades sob o pretexto de outras urgências”, advertiu o Papa num discurso por ocasião da apresentação das cartas credenciais do embaixador do Líbano junto da Santa Sé, Naji Abi Assi. A receita de João Paulo II passa pela coragem de assumir um papel activo nas negociações, “convidando as partes em causa, em primeiro lugar os Israelitas e os Palestinianos, a renovar o diálogo, sem demoras, para empenhar todos os meios necessários para colocar um ponto final ao ciclo infernal da violência recíproca”. Esta será, de acordo com o Papa, a premissa necessária para regulamentar globalmente um conflito, com a participação do “conjunto dos países da região”. “Desejo repetir, igualmente, que não poderemos restabelecer uma paz duradoura nesta região do mundo (o Médio Oriente) sem a coragem política, a firme determinação para reconhecer os direitos de cada um, incluindo os do adversário”, afirmou. João Paulo II invocou a “aceitação do recurso ao perdão mútuo, para curar as terríveis feridas infligidas pelas mútuas violências e pelas vidas despedaçadas, durante tantos anos”. O Papa insistiu na precariedade da situação internacional, na “profunda desestabilização das relações entre as nações, sob a pressão dos acontecimentos no Iraque” e na “recrudescência injustificável e inquietante do terrorismo”. “Diante desta situação, a Santa Sé não deixa de interceder em favor de um regresso à estabilidade e à ordem internacional, graças ao reconhecimento do papel regulador dos organismos internacionais, nomeadamente a ONU, e ao reforço dos seus meios de decisão e acção, a fim de reduzir os focos de tensão e garantir a paz”, sublinhou. “Possam todos os responsáveis políticos escutar esse apelo, para trabalhar activamente e sem demoras na renovação dos laços, ao serviço do restabelecimento tão esperado da paz”, disse ainda o Papa. O discurso de hoje é, claramente, uma das intervenções mais marcantes de João Paulo II no que diz respeito à situação internacional. O Papa tinha assumido posições de defesa do papel da ONU e de condenação do terrorismo, entre outras, na Mensagem para o dia Mundial da Paz – 1 de Janeiro de 2004 – e no Discurso ao Corpo Diplomático credenciado junto da Santa Sé, nesse mesmo mês. Notícias relacionadas • Um compromisso sempre actual: educar para a paz • Os sonhos de paz de João Paulo II • João Paulo II faz um balanço da situação internacional
