João Paulo II espera «colaboração sincera» entre a Igreja e o Estado em Portugal

Jorge Sampaio recebido no Vaticano João Paulo II desejou hoje uma “colaboração sincera” entre a Igreja e o Estado em Portugal, ao receber em audiência no Vaticano o Presidente da República, Jorge Sampaio. “A formação duma consciência crítica em ordem ao discernimento do sentido da vida e da história constitui o maior desafio cultural de hoje, que a Igreja e Portugal desejam enfrentar em sã colaboração, como o demonstra a nova Concordata prestes a entrar em vigor”, referiu. O casal Sampaio e a restante delegação foram acolhidos em português pelo Papa. “Como vêem, o Papa fala português”, sublinhou João Paulo II, com um sorriso. Após um encontro privado de dez minutos, o Papa lembrou no seu breve discurso a última viagem a Fátima, há quatro anos, para a beatificação dos Pastorinhos Francisco e Jacinta, “dois pequenos grandes portugueses”. “A Luz benfazeja, que refulgiu nas suas vidas, anela por estender-se a todo o mundo. Este continua a olhar com esperança para Portugal, sobretudo à medida que toma consciência da grave crise de valores sentida pela sociedade actual”, assinalou. Jorge Sampaio considerou “muito emocionante e emotiva” a audiência, tendo saudado a posição do Papa e do Vaticano em relação ao Iraque. O Presidente da República confessou aos jornalistas que o Papa “tem manifestamente uma grande estima, um grande amor por Portugal e fez perguntas sobre Fátima, Portugal e os peregrinos, recordando claramente a sua última visita ao Santuário”. Jorge Sampaio ofereceu a João Paulo II uma terrina da Vista Alegre com as armas da Santa Sé gravadas, enquanto o Papa retribuiu com a oferta de um estojo em veludo, contendo vinte medalhas correspondentes aos vinte mistérios do Rosário. Esta foi a terceira vez que Sampaio se encontrou com o João Paulo II, depois de ter estado no Vaticano em 1992, quando ainda era presidente da Câmara de Lisboa, e de ter recebido o Papa no Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, em 2000. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo, disse ontem em conferência de imprensa que esta visita não podia ser considerada como “mera rotina diplomática” e que ela é normal “no contexto das relações entre Portugal e a Santa Sé”. Num momento particularmente significativo, após a promulgação da nova Concordata, o Cardeal-Patriarca referiu que “esta é uma visita que encarna uma relação secular de muito carinho e de muita simpatia entre o Papa e o Estado português”. Notícias relacionadas • Discurso de João Paulo II ao presidente da República Portuguesa

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