João Paulo II em condições «muito graves», o mundo reza por ele

João Paulo II continua em condições muito graves e o Vaticano não faz questão de esconder que todos os cenários são possíveis nos próximos momentos. Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano, refere que o Papa está “lúcido, plenamente consciente” e “muito sereno” diante deste momento de sofrimento. O último boletim clínico oficial explica que “a situação neste momento é estacionária, permanecem as condições de extrema gravidade. Os parâmetros biológicos estão alterados, a pressão arterial é instável”. João Paulo II foi informado “da gravidade da sua situação”, de acordo com Navarro-Valls e perguntou se era “absolutamente necessário” ir para a Clínica Gemelli. Não sendo, decidiu permanecer no Vaticano. As recentes informações desmentem categoricamente que o Papa tenha caído num estado de coma. O Papa acompanha recebeu os seus colaboradores mais próximos e acompanha a situação através da oração: concelebrou hoje a missa no seu leito e pediu para ouvir a leitura das catorze estações da Via Sacra. Rezou a Liturgia das Horas e ouviu passagens da Sagrada Escritura, após ter recebido ontem a Unção dos Enfermos. O Catecismo da Igreja Católica ensina que o Sacramento pode ser recebido não só em casos de “perigo de morte”, mas também quando um cristão cai gravemente doente “e a doença se agrava” (1528-1529). A emoção tomou conta de Navarro-Valls, que a certa altura irrompeu em lágrimas. O porta-voz do Vaticano repetiu por diversas vezes que João Paulo II “está lúcido, extraordinariamente sereno”, apesar das dificuldades físicas, sobretudo respiratórias. A infecção nas vias urinárias detectada quinta-feira provocou “um estado de choque séptico e de falência cardio-circulatória”. O choque séptico é uma complicação rápida da septicemia (alastramento da infecção à corrente sanguínea), que provoca uma queda da pressão arterial e leva, em muitos casos, à falência progressiva dos órgãos. O porta-voz informou ainda que João Paulo II está a ser tratado por uma equipa médica nos seus aposentos, no Vaticano, e que lhe foi prestada assistência cárdio-respiratória. Mundo em oração A notícia do agravamento do estado de saúde do Papa fez com que centenas de fiéis acorressem à Praça de São Pedro, no Vaticano. Muitos se aproximam lentamente, numa procissão peculiar, optando depois por ficar ao pé do obelisco ou por ir para a longa fila que leva ao interior da Basílica vaticana. Na Polónia, terra natal de João Paulo II, os católicos acorreram em massa às igrejas para rezar pelo Papa, e em vários outros pontos do mundo reza-se também. Apesar de ser precipitado fazer um balanço deste Pontificado, a verdade é que a dimensão universal de um dos verdadeiros gigantes do nosso tempo fica bem visível nesta onda de solidariedade. A dimensão universal de João Paulo II vem ao de cima quando as suas dificuldades físicas se tornam mais evidentes. Um mundo de orações, incluindo as de outras religiões, pedem a sua rápida recuperação e prestam a sua homenagem a uma figura incontornável nos nossos dias. No Santuário de Fátima, que o Papa visitou três vezes e pelo qual tinha um apreço especial, foi hoje rezada uma missa pela sua recuperação. “O Santuário está a acompanhar este momento com recolhimento e oração, através das informações veiculadas pela comunicação social, as quais dão conta do agravar do estado de saúde do Santo Padre. É um momento de tristeza, pelo sofrimento do Sumo Pontífice, mas sempre de fé e de esperança, reforçados pela força do testemunho que nos dá a firmeza da fé do Santo Padre, o seu amor à vida, a Deus e à humanidade”, refere o comunicado oficial do Santuário. Em Roma, hoje à tarde, vão ser celebradas duas missas especiais nas Basílicas de S. João Latrão e S. Marcos. O Cardeal Camillo Ruini, vigário do Papa para Roma, convidou já todos os italianos a rezar por João Paulo II, afirmando que ele está “nas mãos de Deus” após ter chegado esta manhã ao Vaticano. O Arcebispo Jean-Pierre Ricard, presidente da Conferência Episcopal Francesa, pediu também aos católicos do país “e a todas pessoas de boa vontade” a recolherem-se em oração pelo Papa “nesta hora de espera, sofrimento e esperança”. “João Paulo II prepara-se para viver horas que o associam de maneira estreita à Paixão de Cristo”, refere o comunicado.

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