João Paulo II despediu-se emocionado do ícone de Kazan

A devolução do ícone de Kazan à Igreja Ortodoxa russa esteve ontem presente nas palavras do Papa, visivelmente emocionado por despedir-se da imagem. Aos muitos peregrinos que participaram na oração do Angelus, João Paulo II fez questão de sublinhar a importância que atribui ao ícone de Kazan. “Convido-vos a dirigirem-se comigo à Virgem Maria, venerada com o título de Mãe de Deus de Kazan. O seu ícone, que saiu da Rússia nos anos 20 do século passado, depois de prolongadas etapas em diversos lugares, há já alguns anos que está no apartamento do Papa e desse esse momento vigiou o seu trabalho quotidiano. Agora tenho o gosto de anunciar que uma delegação especial levará este ícone, que me é tão querido, a Sua Santidade Alexis II, Patriarca de Moscovo e todas as Rússias”, disse. O ícone de Nossa Senhora de Kazan, que se encontra Capela particular do Papa, no Vaticano, será levado à Sala Paulo VI, no próximo dia 25 de Agosto, durante a Audiência Geral. “Já desde agora encomendamos a Maria, Mãe da unidade e do amor, nossas súplicas pelo bem da Igreja e de toda a família humana”, concluiu o Santo Padre. A imagem será conduzida ao local, em procissão, para ser venerada. João Paulo II presidirá a uma pequena celebração, com cantos típicos da região de Kazan. Logo a seguir, fará uma intervenção e, acto contínuo, entregará a imagem oficialmente ao Cardeal Walter Kasper, chefe da delegação do Vaticano que a levará à Rússia, para ser entregue ao Patriarca Ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Alexis II. No dia seguinte, quinta-feira, dia 26, a imagem de Nossa Senhora de Kazan, será exposta à veneração dos fiéis na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A delegação católica partirá para Moscovo na sexta-feira, dia 27. No sábado, dia 28, solenidade da Assunção de Maria Santíssima para as Igrejas que seguem o calendário juliano, e Dia da “Dormição de Nossa Senhora”, segundo o calendário ortodoxo, a delegação da Santa Sé entregará, pessoalmente, o ícone da Virgem de Kazan ao Patriarca Alexis II, durante uma cerimónia na Catedral da Dormição, no Kremlin. O gesto não entusiasma, contudo, o Patriarca Ortodoxo de Moscovo, para quem a imagem do Papa “é uma fraude”. O governo russo, por sua parte, vê no regresso do ícone uma oportunidade para estimular a unidade nacional promovida por Vladimir Putin, segundo constata o jornal “Avvenire”. Segundo especialistas russos citados por este jornal católico italiano, a imagem que o Papa entregará ao Patriarcado de Moscovo não é apenas mais uma cópia da imagem mais importante para os ortodoxos russos: trata-se com toda a probabilidade da cópia mais significativa entre as existentes, após a destruição do original, em 1904, por parte dos seus ladrões. Fátima foi um dos lugares que acolheu o ícone de Kazan, local de onde saiu para o apartamento do Papa. Notícias relacionadas • Fátima na história do ícone de Kazan

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