Carta Apostólica O Rápido Desenvolvimento, aos responsáveis das Comunicações Sociais João Paulo II desafia a Igreja Católica a apostar na área das Comunicações Sociais na sua nova Carta Apostólica O Rápido Desenvolvimento, hoje apresentada no Vaticano. O Papa pede aos católicos “um diálogo construtivo para promover na comunidade cristã uma opinião pública informada e capaz de discernimento”. Reflectindo sobre a participação da opinião pública na Igreja e da Igreja na opinião pública, o Papa escreve que “existe, entre os católicos, um amplo espaço para o intercâmbio de opiniões, num diálogo respeitoso da justiça e da prudência”. “Tanto a comunicação no seio da comunidade eclesial como a da Igreja com o mundo exigem transparência e um novo modo de enfrentar as questões relativas ao universo dos meios de comunicação”, aponta. O documento, nascido na sequência das celebrações (em 2003) do 40º aniversário do decreto do II Concílio do Vaticano “Inter Mirifica”, sobre os Meios de Comunicação Social, lembra que a Igreja tem “a necessidade e o direito” de dar a conhecer as suas próprias actividades, explicando ainda que isso não entra em contradição com a necessidade de uma “reserva adequada”. “Este é um dos campos em que se requer uma maior colaboração entre fiéis leigos e pastores”, assegura o Papa. Numa época de “comunicação global”, a comunidade eclesial deve valorizar os Media, inserindo a Internet e os novos meios de comunicação na sua programação pastoral através de “uma espécie de revisão pastoral e cultural que seja capaz de enfrentar, de forma adequada, a mudança de época que estamos a viver”. “Os meios de comunicação social assumiram uma tal importância que são, para muitos, o principal instrumento orientador para os comportamentos individuais, familiares e sociais”, explica o documento. A própria Igreja, portanto, deve tomar consciência de que “o uso das técnicas e das tecnologias das comunicações contemporâneas fazem parte integrante da sua própria missão no terceiro milénio”. “Demos graças a Deus pela presença destes poderosos meios que, se usados pelos crentes com o génio da fé e na docilidade à luz do Espírito Santo, podem contribuir para facilitar a difusão do Evangelho e tornar mais eficazes os vínculos de comunhão entre as comunidades eclesiais”, acrescenta. Formação e diálogo Na sequência da sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2005, o Papa insiste nas “grandes potencialidades dos meios de comunicação para favorecer o diálogo, tornando-se veículos de conhecimento recíproco, de solidariedade e de paz”. O objectivo dos Media, nesse sentido, deve ser sempre o de “tornar as pessoas conscientes da dimensão ética e moral da informação”. Para o futuro, a Carta Apostólica aponta três opções de fundo: formação, participação e diálogo. “Em primeiro lugar, é necessária uma vasta obra formativa para que os meios de comunicação sejam conhecidos e utilizados de forma consciente e apropriada”, refere João Paulo II, que alerta para os riscos da “instrumentalização e condicionamento” das pessoas por uma comunicação social que modifica processos de aprendizagem e relações inter-pessoais. O documento indica, em seguida, a exigência de uma “participação responsável” na gestão dos Media, alertando para o facto de as comunicações sociais serem “um bem destinado a toda a humanidade”. “Devem-se encontrar sempre formas actualizadas para garantir o pluralismo e tornar possível uma verdadeira participação de todos na sua gestão, inclusivamente através de oportunas medidas legislativas”, vinca o texto. O documento aponta como grande desafio para o nosso tempo a criação de uma “comunicação da verdade e da liberdade, que contribua para consolidar o progresso integral do mundo”, o que implica, segundo João Paulo II, “saber cultivar um atento discernimento e uma constante vigilância, amadurecendo uma são consciência crítica perante a força persuasiva dos meios de comunicação”. Na apresentação da Carta aos jornalistas, o arcebispo John P. Foley, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, considerou o documento do Papa “uma obra-prima de intuição sobre o significado dos meios de comunicação social na nossa época”. O Rápido Desenvolvimento • Carta Apostólica «O Rápido Desenvolvimento» do Sumo Pontífice João Paulo II aos responsáveis pelas comunicações sociais
