João Paulo II lembrou no passado sábado a oposição da Igreja Católica aos métodos de procriação artificial, afirmando que o acto pelo qual o esposo e a esposa se tornam pai e mãe “é um gesto tão grandioso que não pode ser substituído por uma mera intervenção tecnológica”. “Este projecto do criador está inscrito na natureza física e espiritual do homem e da mulher e, como tal, tem valor universal”, advertiu. O Papa falava aos participantes da X Assembleia Geral da Academia Pontifícia pela Vida, que decorreu de 17 a 20 de Fevereiro, em Roma, e girou em torno do tema “A dignidade da procriação humana e as tecnologias reprodutivas: aspectos antropológicos e éticos”. Na audiência de sábado, João Paulo II referiu que esta é questão carregada de graves problemas e implicações, por estarem em jogo “valores essenciais não só para o fiel cristão, mas também para o ser humano como tal”. “Cada vez mais emerge o imprescindível vínculo da procriação de uma nova criatura com a união esponsal, pela qual o esposo se torna pai através da união conjugal com a esposa e a esposa se torna mãe através da união conjugal com o esposo”, sublinhou. Na opinião do Papa, a tarefa do cientista nesta área deve ser a de “pesquisar as causas da infertilidade masculina e feminina para prevenir esta situação de sofrimento nos esposos”. “Por isso desejo alentar as pesquisas científicas orientadas à superação natural da esterilidade dos cônjuges, assim como desejo exortar aos especialistas a incentivar as intervenções que possam ser úteis a tal fim”, revelou. João Paulo II já manifestara o seu interesse pelos trabalhos da X Assembleia Geral da Academia Pontifícia pela Vida com uma mensagem enviada aos participantes, onde condenava os “comportamentos aberrantes” e “leis injustas” que diz existirem no âmbito da bioética. De acordo com o Papa, o crescente domínio da tecnologia, dentro dos processos da procriação humana, “pode levar a condutas aberrantes, bem como à formulação de leis injustas em relação à dignidade da pessoa e ao respeito exigido pela inviolabilidade da vida inocente”. Os progressos das ciências bioéticas abrem perspectivas promissoras para o bem, mas também podem tornar-se ameaças ao respeito pela vida e dignidade da pessoa, alerta o Papa, que criticou a “difusão de correntes de pensamento de inspiração utilitarista e edonista”.
