A visita desta terça-feira do ministro do Interior de Israel, Avraham Poraz, a João Paulo II pôs em evidência os acordos e divergências que existem entre a Santa Sé e esse Estado sobre dois pontos específicos: os vistos de religiosos e o regime fiscal das instituições da Igreja. O tema dos vistos, em meses passados, criou sérios problemas a sacerdotes, religiosos e religiosas, para estes poderem desempenhar seu mistério no país. O padre David Jaeger, especialista em questões jurídicas da Custódia Franciscana da Terra Santa, reconhece que o mais perturbante desta questão é “o sigilo das normas utilizadas pelo pessoal do governo para conceder ou rejeitar permissões de entrada ou de permanência para os eclesiásticos”. Em declarações à Rádio Vaticano, este responsável considera que “qualquer Estado de direito exigiria a publicação oficial das normas e dos procedimentos para que todos os conheçam e possam utilizá-los nos contactos com o governo”. O ministro Poraz, em uma entrevista concedida à mesma emissora, revelou que no seu encontro com o cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, “prometi que o nosso ministério facilitará todos os procedimentos para permitir ao clero vir com facilidade à Terra Santa”. No que se refere à questão dos impostos, o padre Jaeger declarou que “para as instituições de carácter religioso e caritativo, a Igreja sempre beneficiou de isenção de impostos sobre a propriedade. Agora o governo israelita veio reduzir drasticamente as isenções da Igreja, unilateralmente, antes de negociar qualquer acordo”. Outro tema quente, a devolução à Igreja Católica do Cenáculo de Jerusalém – que a tradição cristã considera o local da Última Ceia de Jesus -, por parte do Estado de Israel, poderá resolver-se bem mais depressa se houver um acordo entre as Igrejas cristãs da Terra Santa. O ministro do Interior, Avraham Poraz, revelou que “o problema que temos agora é que há um debate entre as Igrejas em Jerusalém. De modo que seria mais fácil resolver o problema se houvesse um acordo entre as Igrejas sobre esta questão”. O edifício do Cenáculo está agora ocupado por uma Yeshiva (escola religiosa hebraica). Até 1948 era utilizado por muçulmanos. Entre 1335 e 1551 foi o convento Franciscano do Monte Sião e sede originária da Custódia da Terra Santa.
