Padre Peter Stilwell, Patriarcado de Lisboa
Foram sete décadas de dedicação ao bem comum das 56 nações da Commonwealth, a que presidia, mas sobretudo das 14 de que era chefe de estado. E o exemplo, por todos reconhecido, transpôs largamente essas fronteiras.
Subiu ao trono com 25 anos, e teve Winston Churchill a apoiá-la nos primeiros anos da sua aprendizagem de rainha. Pairava sobre ambos, como a ameaça à monarquia, a abdicação de Eduardo VIII por motivos sentimentais. Jorge VI, pelo contrário, tinha-se revelado um exemplo de coragem, discrição e espírito de serviço; uma referência fundamental para o ânimo e unidade da nação nos anos difíceis da guerra. Coroada num ritual feito de referências bíblicas, Isabel assumiu o juramento e a unção desse dia como estruturantes da sua missão. Abdicou do interesse e opinião pessoal para promover a confiança no estado e a estabilidade das instituições públicas.
Falar de Isabel II na sua vida pública ou familiar, é falar, portanto, também da sua fé profunda. Como rainha de Inglaterra, e chefe temporal da Igreja Anglicana, visitou cinco dos sete papas em funções durante o seu reino, e fez questão de criar pontes com dirigentes de outras comunidades religiosas. Mas foi nas suas mensagens à nação que assistimos de forma crescente ao testemunho público da sua fé cristã. Fazia-o com naturalidade e elegância, sem imposição, prestando também nisso um serviço. Pois, se a rainha partilhava com simplicidade os valores que a motivavam, o público étnica e religiosamente plural a que se dirigia também o podia fazer, mas com a delicadeza e o respeito com que ela a todos tratava.
Faleceu na Festa da Natividade de Nossa Senhora. Que descanse em Paz!