Irmãs Adoradoras comemoram 150 anos

Trabalho com adolescentes em situação de risco As Religiosas Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento comemoram, hoje, o 150.º aniversário da sua fundação. No dia em que também festejam 70 anos da canonização da sua fundadora, Micaela de Castillo, o Diário do Minho apresenta a obra das Irmãs Adoradoras, que residem no Lar Nossa Senhora do Sameiro (LNSS), em Braga. Conhecido, inicialmente, por Casa de Preservação das Religiosas Adoradoras, o LNSS é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), sem fins lucrativos e de utilidade pública, e intervém na reinserção social de adolescentes do género feminino, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos de idade, que se encontram em risco, oriundas de famílias disfuncionais. «A maioria das adolescentes também possui uma escolaridade baixa», referiu a Irmã Eusébia González, superiora da comunidade religiosa bracarense. «A obra não nasceu de um dia para o outro», disse a religiosa, que contou que a fundadora da Congregação, Micaela de Castillo, «era oriunda da alta sociedade do início do século XIX, e despertou para os problemas sociais que vitimavam as mulheres, depois de um encontro casual com uma jovem no Hospital de São João de Deus, em Madrid. Descobrindo o rosto de Jesus que sofre nessas mulheres e que continua, na Eucaristia, a dar a vida por elas, Micaela abriu, em 1845, a primeira casa para acolher jovens mulheres que pretendessem enveredar por um projecto de vida diferente. Com a consolidação da obra, surgem, em 1856, as Irmãs Adoradoras». Entretanto, as religiosas festejam hoje, às 18h00, na igreja de São Vicente, numa celebração eucarística presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, a sua institucionalização. Inseridas nos bairros «Em Braga possuímos uma casa grande, mas a maioria das nossas religiosas vive em apartamentos com duas ou três Irmãs, inseridas nos bairros das cidades», explicou Eusébia González, que realçou que o carisma da Congregação prevê que as Irmãs «adorem o Santíssimo, dia e noite, na Eucaristia e, depois, nas mulheres com quem trabalhamos». Nesse sentido, «quando a adolescente chega ao LNSS e pede ajuda, é um momento bonito; mas o processo de reinserção é difícil e ultrapassável com a colaboração da própria pessoa», explicou a responsável, que acrescentou que «a maioria das raparigas precisa de protecção. Ou fugiram de um determinado meio ou chegam à instituição encaminhadas por algum familiar ou amigo». A IPSS trabalha em parceria com o Tribunal de Menores e com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Nesse sentido, a religiosa explicou que «um dos grandes dramas actuais está relacionado com o tráfico de seres humanos, pois, nos países mais carenciados, existem pessoas que prometem às mulheres salários estupendos. Porém, quando chegam a Portugal enviam-nas para as casas de alterne… É dramático!» Apesar disso, o LNSS não recebe uma adolescente sem que haja uma entrevista prévia e sem que esta possua um conjunto de pressupostos que permitam a sua admissão. Depois deste processo, a jovem depara-se com uma dinâmica institucional orientada para a acompanhar, a diversos níveis, através de uma equipa multidisciplinar, constituída por uma assistente social, psicóloga, responsável pela ocupação dos tempos livres, um grupo de voluntários, e a comunidade religiosa, composta por seis Irmãs. O LNSS pretende, assim, promover o desenvolvimento humano e cristão das pessoas, e fornecer estratégias e ferramentas que permitam avaliar as consequências num processo de tomada de decisão. Para além disso, os responsáveis tentam criar um ambiente favorável para que cada adolescente conheça as suas capacidades e valores, aumente a sua auto-estima, avalie os seus erros e os reconheça. Por outro lado, o projecto pretende incrementar atitudes de amizade e respeito da individualidade e espaço de cada uma, e apoiar a sua autonomia de vida futura, através de estudos académicos. Para que este processo tenha sucesso, os responsáveis tentam incentivar a participação das famílias das jovens para colaborarem no processo educativo das mesmas. Espalhadas pelo mundo Em Portugal, a Congregação das Irmãs Adoradoras conta com várias casas de acolhimento de prostitutas, mães solteiras, toxicodependentes, adolescentes em risco, mulheres vítimas de maus-tratos e de tráfico de seres humanos. Para além dos lares Jorbalán, Madre Sacramento e Nossa Senhora das Graças, em Lisboa, as Irmãs Adoradoras gerem a Comunidade Terapêutica “António López Aragón”, em Vendas Novas, a Casa Nossa Senhora da Paz, em Coimbra, e a Casa da Nossa Senhora da Conceição e o Lar de Santa Helena, em Évora. Os interessados podem obter informações adicionais sobre a Congregação através do telefone 253263486 ou o e-mail [email protected] pac.pt. A Congregação das Religiosas Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento possui cerca de 180 casas espalhadas pelo mundo. Argentina, Chile, Bolívia, Venezuela, Colômbia, República Dominicana, Equador, Peru, Marrocos, Japão, Índia, Espanha, Itália, Inglaterra e França, são os países que acolhem as cerca de 1500 Irmãs e mais de 4500 leigos que colaboram na Obra de Santa Maria Micaela. Refira-se que, em 2004, foi fundada uma casa no Cambodja. Brevemente, vai ser criada uma estrutura semelhante no Vietname.

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