Mais de 70 eurodeputados da direita parlamentar subscreveram uma carta aberta dirigida ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a reafirmar a sua oposição à possibilidade de a União Europeia financiar investigação em embriões e células embrionárias. Esta carta aberta, uma iniciativa do grupo PPE/DE – Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos) e dos Democratas Europeus -, a maior família política do Parlamento Europeu, é dirigida a José Manuel Durão Barroso na véspera de a Comissão adoptar as suas propostas para os programas abrangidos pelo 7º Programa Quadro de Investigação. A Comissão dos Episcopados da UE (COMECE) tinha-se manifestado profundamente desiludida com a aprovação do 7º Programa-quadro de Investigação, no qual não foram definidos limites éticos para os projectos que beneficiam de financiamento comunitário. Os Bispos manifestam-se particularmente preocupados com o financiamento comunitário a projectos de investigação em células estaminais embrionárias. D. Noël Treanor, secretário-geral da COMECE, alertava em comunicado para a necessidade de “não ultrapassar o limite da inviolabilidade da dignidade do ser humano”, frisando que “a instrumentalização da vida humana, qualquer que seja o seu nível de desenvolvimento, não é aceitável”. “É lamentável que a Comissão Europeia não tenha levado em linha de conta as objecções éticas fundamentais que concernem a certos domínios da investigação como a clonagem, a pesquisa com embriões humanos e as células estaminais embrionárias”, acrescentou. Agora, os eurodeputados subscritores da carta – entre os quais o deputado português e líder do CDS-PP José Ribeiro e Castro – fazem questão de recordar à Comissão que o Parlamento Europeu adoptou em Março passado uma resolução sobre o comércio de células embrionárias, na qual defendia que a investigação em embriões e a células estaminais embrionárias não deveria ser financiada pela União Europeia. Sustentando que os fundos da União Europeia se devem concentrar em alternativas tais como a investigação com recurso a células estaminais somáticas ou do cordão umbilical, aceites em todos os Estados-membros, a resolução vincava que as investigações embrionárias deveriam ser financiadas pelos orçamentos nacionais dos países nos quais são legalmente permitidas. Na missiva dirigida ao presidente do executivo comunitário, os eurodeputados consideram “absolutamente inaceitável” que uma investigação “tão eticamente controversa” como a investigação a células embrionárias, e “ilegal na maioria dos Estados-membros”, seja financiada pelos contribuintes da União Europeia.
