Institutos Religiosos de Portugal manifestam-se contra o esquecimento das suas obras

Os Institutos Religiosos de Portugal estão dispostos a reagir contra o esquecimento a que parecem ter sido votados pela opinião pública e avançaram, por ocasião do próximo encontro nacional entre Religiosos e Leigos, com os resultados de um inquérito à sua acção na sociedade. “Pareceu-nos que a nossa missão está um pouco ofuscada, de certo modo ela já entrou tanto numa rotina e se tem a percepção daquilo que está entregue aos religiosos em Portugal”, afirma à Agência ECCLESIA a Ir. Maria Manuel, secretária-geral do Secretariado Nacional dos Institutos Religiosos (SNIR). “Só a nível da saúde mental, os religiosos têm 90% das camas do país”, ilustra. Os hospitais e Casas de Saúde confiadas aos religiosos servem 5573 pessoas. Sobre este inquérito, revelado no lançamento do Encontro Nacional de Religiosos/As e Leigos, que decorre a 24 de Abril, a Ir. Maria Manuel explica que os Institutos Religiosos quiseram dar a conhecer os campos de acção em que estão comprometidos: “apresentamos o nosso trabalho na educação, nas IPSS, nos Lares (de ensino médio, universitário e de terceira idade), além dos centros de formação de espiritualidade, os hospitais e casas de Saúde”. Os números falam por si: na educação há 117 estabelecimentos, que servem perto de 40 mil utentes, empenham 659 religiosos e empregam 4661 funcionários. As Instituições de Solidariedade Social chegam a 23736 portugueses, através de 218 estabelecimentos e mais de 4000 trabalhadores, entre religiosos e funcionários. O Pe. Francisco Crespo, presidente da a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), reconheceu que os religiosos e religiosas “têm dado uma riqueza enorme a este país, com os seus carismas, na educação, saúde ou acompanhamento de crianças e jovens em risco”. “Por aquilo que conheço, há um valor acrescentado a uma acção social que é feita de uma maneira impressionante”, acrescenta. Este responsável destaca “a disponibilidade de 24 sobre 24 horas, que nem sempre foi compreendida, o entusiasmo e espírito de doação e entrega, que é difícil de atingir”. As comunidades religiosas estão ainda inseridas em bairros de periferia, de realojamento e assumem já a liderança de várias paróquias. O presidente da CNIS não quis deixar de recomendar, nas suas declarações à Agência ECCLESIA, que “os Institutos Religiosos se interroguem sobre a sua acção específica no meio em que estão inseridos, que colaborem com a paróquia e outras instituições, mesmo sem serem de cariz religioso”. “Há muitos institutos que por falta de vocações ou por desvio ao seu carisma, estão a fugir para os colégios em vez de atender as populações para onde forma enviadas, os mais pobres de entre os pobres”, assinala. O Encontro Nacional, a ter lugar em Fátima, surge no contexto das comemorações do cinquentenário da FNIRF (Federação Nacional das Superioras Maiores dos Institutos Religiosos) e da CNIR (Conferência Nacional dos Superiores Maiores dos Institutos Religiosos). A Eucaristia desse encontro será presidida pelo Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo. NOVA ORGANIZAÇÃO O SNIR é a face visível de um desejo de restruturação nas lideranças dos Institutos Religiosos, que há 50 anos estão constituídos em duas federações, CNIR e FNIRF, onde o número de religiosas sempre superou o das congregações masculinas. Criado na Assembleia Geral dos Religiosos do mês de Maio de 2003, o novo Secretariado está a dar os primeiros passos em ordem à sua consolidação. “Sentimos, cada vez mais, a necessidade de um trabalho em comunhão, reunindo-nos numa única direcção, de que o Secretariado é o primeiro passo”, explica a Ir. Maria Manuel, secretária-geral do SNIR. “A função deste Secretariado é dar dinamismo a tudo o que se refere à Vida Religiosa em Portugal”, explica.

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