Acolhimento aos imigrantes é obrigação dos católicos Os recentes indicadores sobre a xenofobia em Portugal devem ser um motivo de preocupação para a Igreja em Portugal. A posição é assumida pelo Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), em declarações à Agência ECCLESIA. “Somos o país da Europa com menor percentagem de imigrantes e, apesar disso, somos dos que mais resistem à imigração”, lamenta. Segundo o relatório do Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas e Xenófobos, Portugal é o quarto país da UE que mostra mais resistência à imigração. As reservas são manifestadas por um em cada seis portugueses. “Para nós estes resultados são um motivo de interrogação, porque õ estudo foi feito nos últimos três anos, quando se procurou trabalhar um olhar diferente sobre a imigração e nos quais houve políticas que travaram, efectivamente, a imigração”, sustenta o director da OCPM, que aponta o dedo a contradições no discurso político e à diferença entre “imigração real e a posição oficial do Estado”. Os dados foram considerados pelo Pe. Rui Pedro “ainda mais preocupantes” quando vistos desde uma perspectiva católica. “A Igreja deve redescobrir a sua dimensão Católica, porque para os cristãos a imigração é uma oportunidade providencial para perceber uma matriz universal, inerente ao Catolicismo, que as nossas comunidades tendem a esquecer”, indica. “A catolicidade da Igreja deve ser assumida na maneira como se tratam os imigrantes”, aponta. Nesse sentido, o Pe. Rui Pedro destaca que “as Congregações missionárias anteciparam o apoio à imigração, começando o trabalho de integração muito antes do Estado”, lembrando que isso mesmo foi dito ontem pelo Presidente da República. Jorge Sampaio falava no Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (CNAI) de Lisboa, que comemorou um ano de actividade. No seu discurso defendeu o combate à exploração de mão-de-obra, às empresas ilegais e à exclusão social, lembrou as competências dos imigrantes – que constituem 9% da população activa – agradeceu-lhes e pediu “desculpa pelo que tenha corrido menos bem”. Sobre as mudanças defendidas na lei da Nacionalidade, o director da OCPM destaca que “há cinco anos temos vindo a falar disso, em conjunto com as associações de imigrantes, mas a questão não foi seriamente abordada”.
