Imprensa cristã deve apostar na renovação para sobreviver

Assembleia Geral da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã A renovação da imprensa cristã deve passar por projectos empresariais e por uma aposta na profissionalização das publicações. Os membros da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC) foram desafiados a uma abordagem criativa e empresarial para enfrentar os problemas com que se debatem. O plano de renovação – hoje abordado em pormenor na assembleia geral da AIC, a ter lugar em Fátima -, intitula-se “Projecto Convencer” e surge após uma série de reuniões realizadas no Porto, Fátima, Turcifal e Beja, com os associados da AIC. Manuel Vicente Ferreira, um dos responsáveis do projecto, disse ao programa ECCLESIA que este cenário ideal para o futuro passa por “dar atenção a aspectos económicos e a aspectos de conteúdo” nas publicações. “Hoje, os problemas da imprensa cristã passam por uma rotina sistemática, fazendo o mesmo que era feito ontem, sem procurar chegar às pessoas com o tal conteúdo de inspiração cristã”, assinalou. “É preciso colocar hoje as pessoas perante os problemas concretos que a sociedade está a viver, não podemos fazer jornais a peso”, apontou ainda. Estruturar conteúdos para que sejam “suficientemente atractivos”, profissionalizar e renovar pessoal são os desafios que se apresentam. Para que este conteúdo possa chegar, efectivamente, aos interessados, Vicente Ferreira diz que os jornais se devem tornar “pequenas empresas que optimizam os recursos que têm”. Parcerias pontuais ou alargadas, fusões, mais investimento e mesmo o encerramento de alguns jornais foram caminhos apresentados. O presidente da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC), Pe. Salvador Santos, defendeu que os títulos deverão optar por parcerias que lhes permitam “melhorar o produto”. “Estes projectos pretendem que o resultado final seja melhor, naturalmente aproveitando os recursos humanos existentes”, referiu ao ECCLESIA. Segundo Salvador Santos, há neste momento uma preocupação com o futuro destes suportes escritos, por causa da nova legislação sobre o porte-pago, que classificou como “dura”, e os custos acrescidos dos impostos devido à revisão da Concordata. “É evidente que pode haver questões financeiras que obriguem a essas parcerias”, vincou. Para Salvador Santos, “todos os jornais que existem não são demais” e têm o seu lugar, mesmo que devam assumir este plano de renovação. “Antes de mais, é preciso admitir pessoas e ideias novas, mas penso que vai ser possível reconverter os títulos”, sublinha. O director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS), Pe. António Rego, alerta para a necessidade de todos terem consciência do que representa a imprensa de inspiração cristã no nosso país. “Estamos a falar de 600 títulos, e isso quer dizer que há medidas muito pequenas, com meios muito frágeis, e outros projectos altos”, destaca. Esta presença representa para o director do SNCS “a vontade da Igreja em estar presente, segundo as suas capacidades, nos Media de hoje”. “Mesmo com as suas limitações, estes meios têm uma profundidade muito grande, capazes de ser mais livres do que um grande jornal semanal”, conclui.

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