Reabertura da instituição depende da formação de novas parcerias O Centro de Acolhimento Temporário S. João de Deus (CATSJD) vai encerrar no final do mês de Maio após dois anos em que recebeu mais de 330 imigrantes, incluindo famílias inteiras. A iniciativa nasceu em Julho de 2003, para dar resposta à necessidade encontrada no domínio do apoio social a imigrantes sem-abrigo em situações de extrema pobreza. O Pe. Aires Gameiro, director do CTASJD, faz uma avaliação “muito positiva” do percurso realizado nesta experiência “única”. “Todos estamos interessados em que se consiga avançar para a continuação deste projecto, porque são necessários centros que ofereçam estas respostas”, refere à Agência ECCLESIA. Actualmente no Centro estão 23 homens, 8 mulheres e 14 crianças. A decisão de encerramento obrigou os seus técnicos a desdobrarem-se em esforços para inserir estes utentes, muitos dos quais há mais de seis meses em Sintra. Ao longo da sua existência o CATSJD acabou por ter funções diferentes daquelas que estavam inicialmente previstas. De acolhimento temporário, passou a acolhimento e alojamento permanente para um número crescente de imigrantes. “Um em cada seis dos 330 imigrantes ali acolhidos foram crianças com menos de 10 anos, acompanhadas dos pais”, explica o Pe. Aires Gameiro. As mudanças de funções podem ser verificadas com os números de diligências por utente: o número de receitas/mês de medicamentos, de acompanhamentos de técnicos/utentes ao hospital, ao Centro de Saúde, às empresas, aos parceiros, as instituições alternativas, às deslocações pagas, etc. Este aumento de funções ultrapassou, em muito, os meios inicialmente disponíveis – apenas um técnico e um director. O CATJD teve como entidades parceiras, a Segurança Social, o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), a Câmara Municipal de Sintra, o Serviço de Jesuítas a Refugiados (JRS), a Obra Católica Portuguesa das Migrações e a Cáritas Portuguesa. Após a não-renovação do protocolo por parte do Instituto S. João de Deus, coloca-se o desafio de encontrar alternativa. O “vazio” nesta resposta social específica leva a questionar qual o espaço para políticas de imigração para as pessoas em situação irregular, mormente as que estão em vias de regularização, mas não vêem por isso os seus direitos reconhecidos. O Pe. Aires Gameiro admite que este Centro “é uma necessidade”, mas assegura que só se poderá recomeçar o projecto após a formação de novas parcerias, dado que as propostas apresentadas à Ordem Hospitaleira não iriam cobrir as despesas previstas. “Não há hipóteses de trabalhar nesta área sem ser em rede, sem muitas parcerias. Tem de se fazer tudo o que se puder para recomeçar”, aponta. O Instituto de São João de Deus considera que o encerramento do CATSJD se deveu a “uma soma de circunstâncias” políticas, económicas e sociais. “Este era um projecto para dois anos e não quisemos sozinhos com a criança nos braços, tanto mais que as instalações precisam de obras urgentes”, assinala o director do Centro. “É imprescindível trabalhar em rede. Os problemas são muito complexos porque são pessoas muito vulneráveis e não há hipótese de se avançar de outra forma”, conclui.
