Bispos espanhóis pedem força para superar a tristeza e esperança para o futuro O dobrar dos sinos nas igrejas de Madrid acordou esta manhã os habitantes da capital espanhola com a memória do atentado que, há um ano, matou 192 pessoas e feriu quase 2 mil, deixando marcas ainda mais significativas dentro de milhões e milhões de pessoas. Os sinos das 650 igrejas da região de Madrid começaram a tocar hoje de manhã, às 07h37 locais (06h37 de Lisboa), a hora a que há um ano explodiu a primeira bomba. O tilintar uníssono durou cinco minutos, tantos como os que demoraram a rebentar todas as bombas terroristas. A página da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) abre hoje com uma oração para o aniversário dos atentados de 11 de Março, na qual se pede a Deus que conceda aos familiares das vítimas “a força para superar a tristeza e enfrentar a vida com esperança”. O organismo episcopal esteve reunido esta semana em assembleia plenária e o presidente cessante, Cardeal Rouco Varela, não esqueceu o aniversário dos atentados do 11 de Março, em Madrid, que coincidiu com o final dos trabalhos da Assembleia e que a Província Eclesiástica de Madrid celebrará com uma liturgia solene na Catedral de Almudena, pelas 20h00. “O flagelo desumano do terrorismo – qualquer terrorismo – deve desaparecer. Todos temos de colaborar com energia na sua erradicação”, afirmou o arcebispo de Madrid. “Não é moralmente possível nenhum tipo de compromisso com quem instrumentaliza as pessoas e as assassina indiscriminadamente, sem recatar-se de reivindicar tais crimes como se de acções nobres se tratasse”, acrescentou o Cardeal Rouco Varela. Num dia de luto nacional, milhões de pessoas observaram cinco minutos de silêncio em memória das vítimas dos atentados. O principal acto oficial realizou-se ao meio-dia, com a inauguração pelos Reis espanhóis e os Príncipes das Astúrias do “Bosque dos Ausentes”, um espaço dentro do parque do Retiro, em Madrid, com 192 ciprestes plantados em homenagem a cada uma das vítimas dos atentados.
