Igrejas Cristãs promovem caminhos de unidade em Portugal

As Igrejas Cristãs estão a promover diversas iniciativas para construir um caminho de unidade em Portugal, como forma de dar expressão ao já longo caminho ecuménico num país de maioria católica. “As nossas Igrejas buscam, passo a passo, a unidade plena”, assegura ao programa ECCLESIA D. António Marto, Bispo de Viseu e presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé (CEDF). Neste sentido, a cidade do Porto recebeu a II Jornada Inter-confessional, subordinada ao tema “Jesus Cristo, a Palavra Viva!”. O evento é organizado pela CEDF, o Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC) e a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP). Esta Jornada, realizada a 30 de Outubro, pretendeu ser “um espaço aberto de diálogo, tendo como suporte a pessoa de Jesus Cristo e a Bíblia Sagrada”. A primeira destas iniciativas realizou-se no ano de 2001, em Coimbra. D. António Marto lembrou que estes espaços de encontro são “uma expressão visível da comunhão que já nos une, como Igrejas que têm em Cristo a sua referência”. A reflexão a partir da Bíblia pretendeu, assim, surgir como uma “fonte de unidade”. Samuel Ribeiro Pinheiro, da AEP, referiu que “é para nós um momento muito alto juntar-nos à volta da Palavra para falarmos da pessoa de Jesus Cristo, o centro que reúne as nossas atenções neste percurso Inter-confessional de contactos”. O Bispo Fernando Soares, presidente da COPIC, explica que é necessário “explicar à sociedade, aos políticos, aos meios culturais que existimos e estamos aqui para ser a expressão viva de um Evangelismo mais aberto”. Os sinais de aproximação, neste caminho, são já evidentes, com especial destaque para o que acontece ao nível da Educação Moral e Religiosa Católica e Evangélica, com iniciativas realizadas em conjunto. “Aí já começa a encontrar-se um eco, até bastante significativo, do ecumenismo”, assegura Samuel Ribeiro Pinheiro. Fórum Ecuménico Jovem Já no próximo dia 6 de Novembro realizar-se-á o VI Fórum Ecuménico Jovem (FEJ), um encontro que integra jovens das Igrejas Católica, Metodista, Lusitana e Presbiteriana. O evento terá lugar no Seminário de Santarém, soba a temática “Peregrinos numa Europa Global”. Com este tema procura-se trabalhar a ligação entre as seguintes três vertentes: Peregrinação (a temática dos encontros de Taizé é a “peregrinação de confiança na terra”); Europa (trata-se de um encontro europeu e estamos no ano do alargamento da UE a Leste e do debate sobre a constituição europeia) e Pluralidade (que significa? Como é possível em tempos em que tudo empurra para definições cada vez mais estreitas de identidade? Que vantagens traz a diversidade? Que boas experiências existem.) Programa 10:00 h – acolhimento (Seminário de Santarém). 10:30 h – [Teatro Sá da Bandeira] apresentação sobre peregrinação (a cargo do DJIEPP) apresentação sobre Europa (a cargo do DJIL) 12:00 h – apresentação sobre o tema e sobre o Encontro Europeu pelo Ir. João. Ficou acordado que se apresentasse o vídeo sobre o encontro, seguido de uma breve exposição e um tempo de questões. 14:00 h – Trevo Alegre e recomeço dos trabalhos [Teatro Sá da Bandeira] 14:30 h – apresentação sobre pluralidade (a cargo da pastoral juvenil da ICR) 15:00 h – grupos (moderados pelos elementos do grupo ecuménico) (Seminário) 16:30 h – Celebração (a cargo da Igreja Metodista) [Teatro Sá da Bandeira] Momentos do ecumenismo Este ano foi celebrado o 5º Aniversário da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (DCDJ), assinada em 31 de outubro de 1999, em Augsburgo, na Alemanha, entre a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica. Teólogos de ambos lados destacavam, desde há muito tempo, que havia um consenso fundamental entre luteranos e católicos a respeito da Doutrina bíblica sobre a justificação e a graça. Esse consenso está expresso no parágrafo 15 da Declaração Conjunta – “Confessamos juntos: somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa do nosso mérito, somos aceites por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para boas obras”. Tal consenso também permitiu declarar que as mútuas condenações do século XVI com respeito à justificação não se aplicam à compreensão Luterana e Católica.

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