D. Manuel Neto Quintas, presidente da comissão episcopal para as missões, fala da sua experiência no Simpósio de Bispos da África e da Europa O olhar sobre a presença da Igreja Católica do mundo precisa de ser reajustado, percebendo que a Igreja na Europa precisa da Igreja africana para realizar a sua missão de anunciar o Evangelho. Esta é uma das conclusões do Simpósio “Comunhão e solidariedade entre África e Europa”, que na passada semana juntou cerca de 150 bispos de 30 países europeus e 32 nações africanas. D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, um dos representantes da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) no encontro, destaca à Agência ECCLESIA a necessidade de se perceber que “a Igreja africana não é só uma Igreja que recebe, de mãos abertas para acolher os nossos missionários, mas também está de mãos estendidas para dar a sua riqueza”. “Falou-se muito de como se devem comportar as Igrejas na Europa ao acolher as ajudas que chegam de África, sobretudo no plano humano, de modo a que as próprias Igrejas africanas se sintam adultas na sua fé, missionárias”, aponta. O presidente da comissão episcopal para as missões lembra a “experiência de Igrejas irmãs, muito gratificante”, com contactos pessoais com Bispos e Cardeais de vários países, com experiências muito diferentes das nossas. “De tudo isto resulta um compromisso comum para viver o Evangelho e apresenta-lo como um sinal de esperança para os nossos dois povos”, afirma. O prelado lembra que Portugal está muito virado para os países africanos de língua oficial portuguesa e tende a esquecer o resto do continente. “A nossa Igreja deveria abrir-se a toda esta realidade, se bem que os Institutos Missionários já mantenham uma presença mais alargada”, refere. Por outro lado, D. Manuel Quintas espera que se saibam acolher “todos aqueles que vierem para aqui, enviados ou chamados para colaborar connosco, seja no anúncio do Evangelho, seja em tantas outras situações”. No dia final da iniciativa, a 13 de Novembro, os participantes foram recebidos em audiência pelo Papa, que considerou estes encontros como uma forma privilegiada de aumentar “a comunhão entre as Igrejas”, de modo a “enfrentar em conjunto temáticas existenciais como a concepção do homem e da sociedade, a evangelização e as relações ecuménicas e inter-religiosas”. João Paulo II anunciou, nessa ocasião, a sua intenção de convocar um segundo sínodo de bispos da África, algo que acontecerá pela segunda vez na história. Notícias relacionadas • Igreja Católica exige colaboração mais estreita entre a Europa e a África
