Igreja/Sociedade: Presidente da Academia Pontifícia para a Vida pede «alfabetização» urgente sobre a inteligência artificial

Monsenhor Renzo Pegoraro alerta que a tecnologia deve estar «ao serviço da pessoa» e desafia clero a acompanhar revolução que afeta a «humanidade real»

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Albufeira, 20 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Academia Pontifícia para a Vida (Santa Sé) defendeu hoje, em Albufeira, a urgência de um processo de “alfabetização” sobre a inteligência artificial (IA), alertando para a transformação da humanidade real em virtual, através da tecnologia.

“É necessário, antes de mais nada, um processo de alfabetização, de conhecimento sobre estas realidades e compreender quais são os princípios morais que podem orientar uma ética da inteligência artificial”, disse monsenhor Renzo Pegoraro à Agência ECCLESIA.

Falando à margem das jornadas de atualização do clero das dioceses do Algarve, Beja e Évora, o responsável do Vaticano apelou ao desenvolvimento de um “espírito crítico”.

“É a realidade humana que deve guiar e inspirar a inteligência artificial e não o contrário, a virtual, a artificial, que quer condicionar e transformar a humanidade real”, sustentou.

Para o colaborador da Santa Sé, é fundamental garantir que a tecnologia esteja “ao serviço da pessoa e não a pessoa ao serviço da inteligência artificial”, promovendo o que o Papa Francisco e o Papa Leão XIV têm definido como “algorética” – uma ética do algoritmo.

A inteligência artificial é um grande desafio a nível teológico e pastoral, e é um desafio importante e urgente porque a inteligência artificial é cada vez mais invasiva, ou seja, penetra em todas as realidades humanas, e está também em rápido desenvolvimento, é muito rápida e cada vez mais poderosa.”

Questionado sobre o papel dos padres e teólogos nesta matéria, monsenhor Renzo Pegoraro rejeitou a ideia de que o tema lhes seja alheio, lembrando que muitas pessoas utilizam estas ferramentas “sem saber que a estão a utilizar” ou que estão a fornecer dados pessoais.

“Isso diz respeito a todos”, afirmou, incentivando o clero a ajudar os leigos, especialmente na educação e catequese, a valorizar a “corporeidade” e as “relações familiares”, dimensões que “não podem tornar-se virtuais”.

As jornadas de formação, organizadas pelo Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE), decorrem até 22 de janeiro sob o tema ‘Inteligência Artificial. Desafios emergentes de uma sociedade pós-cristã’.

O programa de hoje inclui ainda um painel com o padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o professor Alfredo Teixeira (UCP) e o padre Adelino Ascenso, presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal.

OC

 

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