Igreja/Sociedade: Paróquia de Alcácer do Sal está ao lado das pessoas, no acolhimento e entrega de bens alimentares

«Todas as iniciativas que sirvam para melhorar o problema da população são bem-vindas e são necessárias», afirmou o padre Jerónimo Fernandes

Foto: Lusa

Alcácer do Sal, 11 fev 2026 (Ecclesia) – A Unidade Pastoral Alcácer do Sal, da Arquidiocese de Évora, está a colaborar no auxílio à população atingida pelas cheias, incluindo a acolher pessoas, o rés-do-chão da casa paroquial ficou inundado, mas salvaram-se os bens alimentares da loja solidária.

“Estando em contato com as pessoas, ainda ontem perguntaram se tínhamos a possibilidade de alojar mais uma família, que é uma senhora com dois filhos. Possibilidades não temos muitas, mas há uma casa, anexa a outra igreja, de Santa Maria, só que não está preparada para acolher ninguém – não está com móveis, não está com nada, está a precisar de ser arranjada -, mas, é melhor ficar lá do que na rua”, disse o padre Jerónimo Fernandes, esta quarta-feira, dia 11 de fevereiro, em declarações à Agência ECCLESIA.

O administrador paroquial (moderador) da Unidade Pastoral Alcácer do Sal adianta que a paróquia já tinha “disponibilizado mais duas, no chamado Património dos Pobres”, que também está a precisar de obras, mas acolheram “duas pessoas e também foram para lá”.

Segundo o sacerdote, que está em Alcácer do Sal desde setembro de 2025, a população está habituada às cheias, “só que não são tão grandes”, e tem ouvido quem diz ‘vamos recomeçar, e vamos para a frente’, como encontra quem “alguns mais desanimados”, que dizem ‘eu perdi tudo’.

A equipa sacerdotal da Unidade Pastoral de Alcácer do Sal, constituída pelos padres Jerónimo Fernandes e Jorge Filipe Lopes, está “em contacto com quem está no terreno”, e, em colaboração com a junta de freguesia e com a câmara municipal, “a primeira coisa a ser distribuída” foram os bens alimentares, que estavam numa seção da loja solidária que não foi inundada.

“Também disponibilizamos espaço para armazenar algumas coisas que têm sido doadas, e, ainda hoje, vem alguém trazer mais coisas, inclusive servirão não só para socorrer imediatamente, mas para ficar na loja solidária para ir socorrendo as outras que vão aparecendo depois de passar esta enchente”, acrescentou o administrador paroquial, assegurando que continuarão “em colaboração”.

O padre Jerónimo Fernandes explicou também que a Cáritas Diocesana de Évora “está disponível para ajudar, mas para atendimento das pessoas quando “começarem a organizar-se”, e na Paróquia de Alcácer do Sal têm “uma sala disponibilizada já nesse sentido”.

Sobre os efeitos das tempestades das últimas semanas nos lugares de culto da Unidade Pastoral Alcácer do Sal, o pároco destaca que no Santuário do Senhor dos Mártires tiveram “uma janela partida, e mais uns vidros arrancados” pelo vento, “porque fica no alto”.

Foto: Padre Jerónimo Fernandes

“Já vi cheias, mas não assim”, explica o sacerdote eborense, observando que “o problema é a água da descarga das barragens ao encontro do refluxo das marés altas”, que é “o cabo dos trabalhos”, mas, agora que “o rio já está dentro das margens”, esperam que “não volte a acontecer assim a inundação”.

A casa sacerdotal, onde vivem também três religiosas das Irmãs Beneditinas de Oshikuku, está “à beira do rio quase”, e, nestas cheias, a água subiu “até quase ao cimo da janela do r/c do chão”, e inundou esta área onde tinham o quarto de uma das irmãs, “uma garagem que está com arrumações, e a loja solidária”.

“Foi tudo destruído, claro. A irmã subiu para o primeiro andar, o quarto foi destruído, agora já foi lavado, e esperamos que não volte a subir a água, apesar das barragens continuarem a ter de despejar e as marés a subir”, explicou o padre Jerónimo Fernandes, que tem o seu quarto no segundo andar, onde a casa paroquial tem também “uma porta, ao lado da cozinha para o lado da igreja”, que usaram nestes dias de inundação.

O arcebispo de Évora manifestou logo “proximidade e profunda solidariedade” às populações afetadas pela tempestade Kristin, nomeadamente da “cidade de Alcácer do Sal e seu termo, de Santa Catarina e outras localidades”, e disponibilizou “apoio” aos autarcas e párocos, no dia 30 de janeiro, publicou também a Nota Pastoral ‘Ser Sinal – Angariação de fundos solidários para as vítimas dos temporais em Alcácer do Sal e Leiria’, que tem vindo a ser atualizada.

O padre Jerónimo Fernandes recorda que D. Francisco Senra Coelho, “inclusivamente” foi celebrar a Eucaristia “solidarizando-se com a comunidade, com a autarquia”, no dia 1 de fevereiro, “indicando logo a que a Cáritas Diocesana estaria em colaboração”.

“Todas as iniciativas que sirvam para melhorar o problema da população, dos que vêm à Igreja e dos que não põem cá os pés, no interesse de toda a população são positivas, são bem-vindas e são necessárias”, salientou o administrador paroquial da Unidade Pastoral Alcácer do Sal.

CB/OC

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