Bispo de Beja sublinha que a tecnologia traz benefícios se for bem usada, mas alerta para a necessidade de estar «ciente dos perigos»

Albufeira, 21 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja afirmou que a inteligência artificial (IA) exige uma “reflexão ética” por parte da Igreja, considerando que o tema é transversal a todas as dimensões da vida, da esfera profissional à familiar.
“Há toda a dimensão ética que tem que estar presente na abordagem que fazemos a estas questões, porque não se trata apenas de perceber as potencialidades que a técnica hoje permite, e são muitas, mas impõe-se de facto uma reflexão ética”, disse D. Fernando Paiva à Agência ECCLESIA.
Falando à margem das jornadas de atualização do clero das Dioceses do Algarve, Beja e Évora, que decorrem em Albufeira, o responsável sublinhou que a IA “é um tema que vai entrando nas vidas de várias formas”.
“É uma tecnologia que, se for bem usada, pode trazer benefícios e traz de facto, mas também estamos cientes, ou vamos estando cientes, dos perigos que também pode trazer”, alertou.
D. Fernando Paiva reconheceu que, sendo uma realidade em desenvolvimento, “talvez não haja certezas ainda”, mas garantiu que a Igreja está atenta ao problema, procurando a ajuda de especialistas para “ver mais longe”.
Para além do desafio tecnológico, o bispo de Beja destacou a aposta da diocese na implementação do processo sinodal, que definiu como o “pano de fundo” do atual plano pastoral.
“A nossa equipa sinodal tem estado presente nas várias regiões da Diocese, em que temos organizado encontros precisamente para dar a conhecer a riqueza [da sinodalidade], não apenas de um ponto de vista teórico, mas de um ponto de vista prático”, explicou.
O prelado adiantou que esta dinâmica já se reflete no funcionamento dos órgãos de consulta diocesanos, nomeadamente na forma como são organizadas as reuniões do Conselho Pastoral e do Conselho Presbiteral.
As jornadas, organizadas pelo Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE), decorrem até quinta-feira sob o tema ‘Inteligência Artificial – Desafios emergentes de uma sociedade pós-cristã. Crepúsculo ou aurora?’.
OC
Algarve: D. Manuel Quintas destaca urgência de compreender impacto da IA na vida das comunidades
