Igreja responde com amor aos ataques do laicismo

Indirectas à intenção do Governo em retirar crucifixos das escolas «Hoje há muita gente apostada no laicismo; há mesmo quem se tenha transformado em apóstolo do laicismo e queira retirar os sinais exteriores reveladores da cultura cristã da sociedade». O alerta foi dado pelo Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, na homilia da missa que presidiu, dia 15 de Maio, e que serviu de lançamento às comemorações dos 250 anos da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim. Face a esta ameaça, o prelado apelou para que todos mostrem a Igreja que são, «Igreja essa que age no amor». Esse mesmo amor será a «arma dos cristãos contra uma sociedade laicista», atestou. «Quando os outros virem o bem que fazemos, vão perceber que a Igreja não é inútil mas essencial à sociedade», sublinhou o arcebispo de Braga. Foi desta forma que D. Jorge Ortiga respondeu à aparente intenção da ministra da Educação em retirar os crucifixos das salas de aula. «Será que temos vergonha de reconhecer que a sociedade portuguesa tem uma raiz cristã e o que é deve-o, em parte, à acção da Igreja?», questionou em tom de crítica o arcebispo de Braga, falando numa missa que estava a ser transmitida pela TVI. Abordando o tema central da eucaristia, D. Jorge Ortiga recordou a missão social da Igreja Católica operada através do cumprimento das Obras de Misericórdia, que norteiam a acção das Santas Casas da Misericórdia, em Portugal e no mundo. No dia em que se celebrava também a festa litúrgica da vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos, o prelado bracarense sublinhou que «a Igreja, para ser fiel ao Espírito, tem de percorrer o caminho da misericórdia numa descoberta de gestos e compromissos polivalentes que continuam a situar-se no âmbito material e espiritual». Recordando que o novo papa Bento XVI dedica o seu pontificado ao esforço de ir «ao encontro das ovelhas perdidas» e, particularmente, daqueles que «vivem nos “desertos” da vida moderna», o arcebispo de Braga referiu que «urge uma Igreja com coração que sofre com quem sofre e percorre o caminho dos dramas humanos». No campo da solidariedade social, D. Jorge Ortiga alertou que o empenho da Igreja e das suas instituições – entre as quais se incluem as Misericórdias – não é substituidor de ninguém mas, apenas a «fidelidade à sua própria essência». Apontando para o facto do Estado ser o principal responsável pelo bem-estar social, o prelado refere que a Igreja, em obediência à sua própria identidade, tem também de «estar na praça pública, respondendo de forma activa» para que a solidariedade seja cumprida. «Poderíamos ser mais apoiados e estimulados pelo Estado, porque a história revela que os apoios concedidos à Igreja são como fermento de um pão que chega a todos», afirmou D. Jorge Ortiga. No entanto, «apoiados ou não continuamos a ser iguais a nós próprios e prosseguiremos na missão de fazer o bem a todos», acrescentou.

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