Papa associou-se ao aniversário da revista dirigida pelo padre Nuno Gonçalves, jesuíta português
Roma, 02 abr 2025 (Ecclesia) – O Papa enviou uma mensagem à celebração do 175.º anivesário da revista ‘La Civiltà Cattolica’, da Companhia de Jesus (Jesuítas), destacando o serviço que a publicação presta à Igreja.
No texto, apresentado na sede da revista, em Roma, Francisco elogiou o “serviço inteligente à Santa Sé e à Igreja”, no respeito “rigoroso” da verdade, dando espaço “ao confronto e ao diálogo”.
O Papa assinala que a publicação tem sido “uma presença amiga”, para muitas gerações, oferecendo “indicações úteis para interpretar os acontecimentos do mundo à luz da fé”.
A cerimónia desta terça-feira contou com a presença do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, do presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, e vários responsáveis da Cúria Romana, incluindo o cardeal português D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação.
O Papa Francisco convidou os responsáveis da revista a continuar o seu trabalho “com alegria, através do bom jornalismo, ouvindo todas as vozes e encarnando a dócil mansidão que faz bem ao coração”.
O diretor da ‘Civiltà Cattolica’, o jesuíta português Nuno da Silva Gonçalves, disse ao portal de notícias do Vaticano que esta revista “acompanhou sempre a vida da Igreja” e procurou ser “um espelho do que a Igreja foi em todos os tempos”, assumindo-se como “serviço à paz”, ao longo destes 175 anos.
A publicação, acrescentou, quer ajudar a “descobrir os sinais de esperança, que parecem estar ausentes”.
“O futuro é sempre tentar aprofundar, difundir, comunicar a voz da Santa Sé e dos Papas, é essa a nossa missão”, concluiu, assumindo “o carisma da Companhia de Jesus de estar ao serviço do pontífice, desde Santo Inácio”.
Na sua intervenção, o cardeal Parolin destacou que, desde o início, a revista foi um instrumento de “formação cristã”, capaz de “ajudar os leitores a ter uma visão cristã”.
“Uma identidade que se mantém até hoje”, assinalou o secretário de Estado do Vaticano, realçando a “estreita ligação com o Papa” de ‘La Civiltà Cattolica’, que “acompanhou e acompanha o magistério pontifício nas suas várias formas, difundindo-o, interpretando-o e tornando-o acessível”.
A revista foi fundada em 1850 por um grupo de jesuítas e debruça-se sobre os temas da fé e da cultura, incluindo reflexões sobre ciência, religião, política, história, entre outros.
Publicada quinzenalmente em italiano, tem edições em inglês, espanhol, francês, chinês, coreano, japonês, russo, e inclui também uma edição em português que sai de dois em dois meses.
O padre Nuno Gonçalves, antigo provincial dos Jesuítas em Portugal, foi decano da Faculdade de História e Bens Culturais da Igreja da Pontifícia Universidade Gregoriana, onde foi estudante entre 1983 e 1995.
Nascido em Lisboa, em 1958, o religioso é doutor em História da Igreja e foi o primeiro responsável pelo departamento nacional dos Bens Culturais da Igreja, em Portugal, bem como decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa; publicou vários estudos sobre a história missionária portuguesa e da Companhia de Jesus.
Em 2018, o sacerdote foi condecorado pelo presidente da República Portuguesa como Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada, uma Ordem Militar que se destina a distinguir o mérito literário, científico e artístico.
OC