Igreja/Portugal: «Que ninguém fique para trás na reconstrução», após a tempestade Kristin, pede D. Rui Valério

Patriarca de Lisboa assinala Dia Nacional da UCP e evoca vítimas do mau tempo

Foto: Lusa

Lisboa, 01 fev 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa evocou hoje as vítimas do mau tempo em Portugal, apelando a uma cultura de serviço e a uma “reconstrução” que ampare os mais frágeis, em mensagem inspirada pelas Bem-aventuranças de Jesus.

“Quem são os mansos, senão os que resistem à tentação da violência, da revolta cega, do ‘cada um por si’? Quem tem fome e sede de justiça, senão os que exigem que ninguém fique para trás na reconstrução?”, questionou D. Rui Valério, na homilia da Missa a que presidiu no Parque das Nações, por ocasião do Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

“Depois da tempestade, estas palavras soam com uma força nova. Quem são hoje os pobres em espírito, senão aqueles que perceberam que não se bastam a si mesmos? Quem são os que choram, senão os que viram a sua segurança abalada e perderam entes queridos?”, acrescentou, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes.

Numa homilia enviada à Agência ECCLESIA, o patriarca de Lisboa afirmou que a tempestade Kristin expôs fragilidades e trouxe “perdas, inquietações, medos”, numa referência direta a milhares de pessoas sem eletricidade e aos avultados danos materiais em várias zonas do território continental.

“Subimos com Jesus levando connosco casas atingidas, campos devastados, famílias inquietas, trabalhadores exaustos, comunidades feridas. A Palavra não nos retira da realidade; entra nela”, indicou D. Rui Valério.

Perante a comunidade académica e os fiéis reunidos na celebração de Lisboa, o patriarca apresentou as Bem-aventuranças como a “Magna Carta da humanidade”, apontando o caminho de uma “diaconia da cultura” onde o saber académico serve a comunidade.

“A Universidade Católica é o lugar onde o saber não se limita a explicar o mundo, mas se coloca ao serviço da sua cura; onde a inteligência não se fecha em si mesma, mas se abre ao humano inteiro”, sustentou o magno chanceler da UCP.

Para D. Rui Valério, o momento atual exige “pensar políticas justas, formas responsáveis de reconstrução” e modelos de desenvolvimento que “respeitem a criação”.

O patriarca de Lisboa alertou ainda para a necessidade de recusar linguagens que “explorem o medo”, defendendo uma educação para a “responsabilidade comum” e para o “universal”.

Depois da tempestade, esta diaconia da cultura, encarnada na Universidade Católica, torna-se ainda mais concreta: pensar políticas justas, formas responsáveis de reconstrução, modelos de desenvolvimento que respeitem a criação, linguagens que não explorem o medo, mas eduquem para a responsabilidade comum.”

Citando o Papa Leão XIV, o responsável lembrou que a graça de uma visão capaz de “captar o horizonte” é fundamental para estudantes e investigadores.

D. Rui Valério concluiu a sua intervenção com um apelo à esperança, garantindo que a tempestade “não tem a última palavra”.

“Que este tempo marcado pela tempestade seja também tempo de conversão do olhar: para reconhecermos os pobres e humildes, para cuidarmos uns dos outros, para construirmos uma cultura que seja serviço”, desejou.

O Dia Nacional da UCP celebra-se este domingo sob o mote ‘Por uma Diaconia da Cultura’; a sessão solene decorre na próxima sexta-feira, com a atribuição do doutoramento Honoris Causa ao designer Philippe Starck, numa cerimónia que inclui a entrega de insígnias e cartas doutorais aos novos doutores da universidade.

OC

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