Padre José Pinheiro explica que «o mais importante é a humanização», e destaca o papel das comunidades cristãs

Lisboa, 09 jan 2026 (Ecclesia) – O diretor da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, da Igreja Católica em Portugal, afirmou hoje a importância de existir um trabalho “muito próximo com o Ministério da Saúde”, e com aqueles que “implementam políticas” nesta área.
“É fundamental que haja esta ligação, até porque a Pastoral da Saúde representa a comunidade e tem toda a vantagem que os nossos ministros, os nossos secretários de Estado, os nossos políticos, o nosso governo vejam na Pastoral da Saúde um aliado natural para toda a área da prevenção”, disse o padre José Pinheiro, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Penso que é muito importante que haja um trabalho muito próximo com o Ministério da Saúde, com todos aqueles que de alguma forma implementam políticas na área da saúde.”
Para o diretor da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, organismo da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), os agentes pastorais deste setor da Igreja Católica podem ser elo de ligação entre os portugueses e estes serviços, porque podem “facilitar toda a comunicação, a informação, que é fundamental”, porque, “tantas vezes”, os serviços estão esgotados, há também “má utilização da parte dos pacientes, das pessoas que se sentem aflitas”.
O padre José Pinheiro, que assumiu a direção da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da CEP em outubro de 2025, explica que este setor “existe em todas as paróquias, mais ou menos organizada, em todas as dioceses”, e salienta a sua importância na “dimensão humana”, de ajudar o cidadão, o crente, numa reaproximação e relação com os cuidados de saúde primário, com os hospitais da sua área de residência.
“Nós, obviamente, percebemos a questão dos recursos, percebemos a questão dos meios, todas as faltas no Serviço Nacional de Saúde. Mas, o mais importante é a humanização e aí é o papel das comunidades cristãs, e das comissões paroquiais e as comissões diocesanas, que é a humanização”, desenvolveu, explicando que a Pastoral da Saúde “três níveis muito importantes” como método de evangelização, para além da humanização, a evangelização e os sacramentos.
A dimensão humana é que transforma exatamente a pessoa que é cuidada, mesmo sabendo que os meios são escassos, são limitados, mas sentir-se cuidada e respeitada em toda a sua dignidade humana.”
A Comissão Nacional da Pastoral da Saúde realiza hoje um encontro com as comissões diocesanas deste setor para “ouvir, escutar”, sem “plano fechado”, e conhecerem-se, das 14h30 às 19h00, no Hotel Casa São Nuno, em Fátima, e, destaca o seu diretor, tiveram “uma belíssima adesão” das dioceses católicas de Portugal.
“O desafio é escutar, neste método sinodal. Queremos ouvir o trabalho que se faz, queremos ouvir as necessidades que cada comissão sente, e também queremos ouvir o que esperam da Pastoral da Saúde a nível nacional”, acrescentou o sacerdote da Diocese de Setúbal, lembrando que a “dimensão formativa é fundamental”.
Segundo o padre José Pinheiro, a Pastoral da Saúde está presente em todas as paróquias, “uma presença, a maior parte das vezes de uma forma informal – o cuidar dos doentes, o rezar pelos doentes, o levar a comunhão aos doentes existe um pouco por todo o país -”, e em todas as dioceses, mas “o desejo” é de caminharem “como um corpo, como comunidade”, e a nível nacional “todos sentem muito essa falta”.
A Pastoral da Saúde é muito diversificada, nós muitas vezes ficamos naturalmente pelo doente, pelo cuidado do doente, mas é importante ir mais longe, ir para além do hospital, ir para além da unção do doente, e tocar todos aqueles que são os agentes da saúde e poder tornar presente a mensagem do Evangelho, tornar presente o sentido cristão do cuidador, mas também ajudar aquele que é cuidado a descobrir em si recursos para aceitar, não resignar.”
O diretor da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da CEP salienta que esta ação pastoral “pode ir muito mais longe” se for organizada, se for estimulada, se for inspirada, “e abrir muito mais o âmbito desta presença missionária”, e lembrou também a rede das IPSS e a forma como têm organizada a caridade, no Programa ECCLESIA, desta sexta-feira, na RTP2.
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