Igreja/Portugal: CEP lança cadernos mensais para ajudar comunidades a «concretizar» processo sinodal

Primeiro número, já disponível, é dedicado à «sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja»

Lisboa, 11 fev 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) inicia este mês a publicação de uma série de 13 cadernos dedicados à sinodalidade, com o objetivo de apoiar a implementação do Documento Final do Sínodo dos Bispos (2024) nas dioceses e paróquias.

A iniciativa, dinamizada pela Equipa Sinodal da CEP, surge na sequência do II Encontro Sinodal Nacional (realizado em Fátima, a 10 de janeiro) e prolonga-se até fevereiro de 2027, propondo um itinerário de reflexão que vai desde os fundamentos teológicos à revisão do Direito Canónico.

“A sinodalidade não é apenas um conceito vago, mas o modo concreto de ser Igreja onde o Povo de Deus caminha junto, escuta, discerne e partilha responsabilidades na missão”, refere o prefácio da coleção, intitulada ‘Caminhos de Comunhão’.

Os subsídios, disponibilizados em formato digital (com opção de impressão em opúsculo), inspiram-se nos ‘Cuadernillos de La Sinodalidad’ do Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe (CELAM) e oferecem pistas de reflexão bíblica e pastoral para o discernimento comunitário.

O primeiro número, já disponível, é dedicado ao tema ‘A sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja’, abordando os fundamentos eclesiológicos e o magistério do Papa Francisco.

Para a Equipa Sinodal, este é um momento de “receção e implementação” do Documento Final do Sínodo, aprovado em outubro de 2024, rumo à inédita Assembleia Eclesial de 2028.

“É uma oportunidade de renovação da ação pastoral em cada grupo, comunidade, paróquia e diocese, mas é também um caminho que exige profunda conversão pessoal e comunitária, o cultivo da escuta, da abertura ao outro, do discernimento comum e a coragem para rever hábitos instalados”, lê-se na nota introdutória.

Estes novos materiais inserem-se na caminhada sinodal lançada pelo Papa Francisco em outubro de 2021, que convocou toda a Igreja Católica para um processo inédito de auscultação e renovação.

Após uma fase de consulta local (nas paróquias e dioceses de todo o mundo) e de uma etapa continental, a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo decorreu em duas sessões (outubro de 2023 e outubro de 2024), no Vaticano.

O percurso culminou com a aprovação do Documento Final, a 26 de outubro de 2024, que Francisco decidiu promulgar de imediato, integrando-o no magistério da Igreja e dispensando a habitual exortação apostólica pós-sinodal, para dar força às orientações ali contidas.

Agora, na fase de “restituição” às comunidades, a CEP propõe temas mensais que tocam pontos sensíveis da vida eclesial, como a “gestão e superação de conflitos” (maio 2026), o papel da autoridade e a tomada de decisões (agosto 2026), o lugar dos diáconos e o ministério dos bispos (outubro e novembro 2026) ou a vocação dos leigos (fevereiro 2027).

“Desejamos que este subsídio seja um ponto de partida para fecundas conversações no Espírito e um contributo para fortalecer a comunhão, promover a participação e renovar a missão”, conclui a Equipa Sinodal da CEP.

OC

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