«É a Igreja do futuro», disse D. António Augusto Azevedo, destacando a adesão de catequistas à formação
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Fátima, 23 out 2023 (Ecclesia) – O presidente da Comissão da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) disse que a “elevadíssima adesão” e a “alegria” dos catequistas foi o que mais “impressionou” nas jornadas nacionais, sobre o novo itinerário deste setor, mas partilhou “preocupações”.
“Este itinerário irá ajudar em muito a renovação da Igreja, a renovação das comunidades, a geração que agora está a nascer, das crianças que poderão ser acolhidas nas comunidades e fazer caminho, um caminho sério, profundo, de iniciação à vida cristã”, disse D. António Augusto Azevedo, nas conclusões das Jornadas Nacionais de Catequistas (JNC) 2023, este domingo, em Fátima.
O presidente da Comissão da Educação Cristã e Doutrina da Fé desejou que o novo ‘Itinerário da Iniciação à Vida Cristã’ “dê grandes passos em frente”, ajudando os mais novos, independentemente das idades, a serem “filhos de Deus, cristãos que se encontraram com Cristo vivo”, que encontraram a alegria da fé, “que fizeram autentica experiência da fé e também dos sacramentos”.
O Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), que promove esta formação, informou que estas jornadas de catequistas fazem parte do “caminho de receção e divulgação do novo Itinerário para a Catequese”, editado pela Conferência Episcopal Portuguesa em 2022.
O bispo de Vila Real explicou aos mais de 1100 catequistas que saiam deste encontro, realizado este sábado e domingo, “com algumas preocupações” porque o novo itinerário “não está acabado“, e sobre os sacramentos, afirmou que a Confirmação (Crisma) “é uma questão em aberto, difícil”, mas “é difícil em Portugal e é difícil no ocidente”.
“Deveria merecer um pouco mais reflexão, não tem solução fácil e imediata, ninguém tem uma solução mágica, as tradições do oriente são muito distintas do ocidente; pelo menos que com este itinerário vá reduzindo uma realidade muito frequente, que é termos demasiadas vazes, demasiados jovens que, depois de 10 anos de catequese, são crismados mas não fizeram encontro com Cristo vivo, e não sabem comungar, não sabem estar na Eucaristia”, desenvolveu D. António Augusto Azevedo.
O padre Carlos Aquino, da Diocese do Algarve, afirmou que “é estranho”, depois de 10, 12 anos de catequese, “não se sentir parte da Igreja, não se gostar de estar na Igreja, de celebrar a fé, não se saber rezar, não se saber a grande síntese da fé cristã”; e salientou que “há uma grande escolarização da própria catequese” mas pretendem que “sejam outros processos” no novo documento orientador para a catequese em Portugal.
O sacerdote apresentou a última conferência destas jornadas, com o tema ‘O lugar dos sacramentos no Itinerário’, e disse à Agência ECCLESIA que pensa que há um défice de formação dos catequistas e na sua própria formação pessoal.
“A iniciação cristã é um processo complexo mas quer a catequese, quer a liturgia, na verdade, como afirmei, são dois pulmões que ajudam neste caminho, para além de um processo pedagógico e pessoal da própria pessoa que faz uma caminhada para se introduzir na fé cristã e na vida da Igreja”, desenvolveu.
Para o padre Carlos Aquino, a renovação do itinerário à fé “valoriza uma nova proposta pedagógica, formativa”, mas considera que “é necessário também valorizar-se a dimensão celebrativa, que não está de todo muito sublinhada e aprofundada”.
“Uma catequese sem liturgia será apenas uma formação que produzirá pouco fruto, uma celebração sem a catequese e sem esse entendimento mistagógicos do que se realiza também será estéril, um rito mas não produzirá vida”, realçou, assinalando que catequese e liturgia “são complementares neste processo pedagógico”.
O padre Juan Carlos Carvajal Blanco, presidente da Associação de Catequetas de Espanha, que refletiu sobre o tema ‘A Catequese na nova etapa da Evangelização’, destacou que a catequese atualmente “está marcada pelo repto da missão”, tem de responder à convocatória que o Papa fez a toda a Igreja de “uma conversão missionária da pastoral”.
“A catequese não pode fazer o que fez nos últimos 10, 20, 30 anos, tem de mudar radicalmente não apenas as estruturas mas também a atitude dos catequistas”, disse à Agência ECCLESIA.
O sacerdote, que é o diretor do Departamento de Evangelização e Catequese da Universidade Eclesiástica São Dámaso (Madrid/Espanha), sobre desafios aos catequistas e à Igreja, afirmou que “um catequista que não experimentou que Cristo está vivo na sua vida e é salvador, dificilmente poderá testemunhar que Cristo está presente na sua vida deles e leva à plenitude do amor do pai”.
O padre Juan Carlos Carvajal Blanco destacou também que a Igreja “tem de acompanhar os seus filhos constantemente”, por isso, os catequistas têm de ser “acompanhadores, testemunhas e educadores”, e não podem ser “apenas instrutores, que numa hora ensina catecismo e, no melhor dos casos, acompanha as crianças e os adolescentes na Missa”.
PQ/RP/CB